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Combate aos crimes na internet é falho
Brasil tem apenas sete núcleos para investigação de cibercrimes
O Brasil não está preparado para combater crimes cometidos por meio da internet. A afirmação é do delegado Demetrius Gonzaga de Oliveira, chefe do Núcleo de Combate ao Cibercrime, da Polícia Civil do Paraná. No país, há sete núcleos que combatem crimes na internet e, segundo o delegado, esse número não é o suficiente. “A maior parte dos casos investigados aqui vem de fora. Autoridades de outros estados nos procuram para treinamentos, pedidos de auxílio e rastreamentos”, conta.
Abuso sexual de crianças, terror psicológico por supostos integrantes de facções criminosas, ameaças de seqüestro e morte, extorsão e espionagem entre grandes empresas são alguns exemplos de casos investigados pelo núcleo. Além da criação de mais estrutura, com pessoal treinado e equipamento de última geração, Oliveira aponta a necessidade de advogados, promotores, juízes, policiais e legisladores estarem melhor preparados no país para enfrentar crimes cibernéticos. “Se a investigação não for feita com recursos jurídicos e tecnológicos adequados, inocentes serão penalizados, e isso fará com que os verdadeiros culpados continuem agindo e se especializando”, diz.
Segurança na rede
O problema, segundo ele, poderia ser resolvido com capacitação de todos os envolvidos na elucidação dos crimes. “Se a legislação não for observada e as ferramentas adequadas para a coleta de provas forem mal utilizadas, mesmo que se chegue ao criminoso, todo o trabalho vai por água abaixo”, alerta.
A iniciativa privada também tem sua participação no trabalho para ajudar a população a reconhecer, evitar e denunciar crimes cibernéticos. Um exemplo é a
SaferNet Brasil, associação sem fins lucrativos criada em 2005, que recebe uma média de 2,5 mil denúncias de crimes por dia. Os casos de pedofilia somam 63%, a maioria praticada no site de relacionamentos Orkut. A organização mantém uma central nacional de denúncias, ligada ao Ministério Público Federal. Ao se deparar com crimes contra os direitos humanos, qualquer internauta brasileiro pode denunciar. “Em dois cliques a pessoa informa o endereço do site que contém os atos criminosos”, afirma o psicólogo e diretor de prevenção da associação, Rodrigo Nejm. Após a denúncia, é fornecido um número de protocolo e o processo pode ser acompanhado em tempo real até a exclusão da página irregular.
Prevenção
Para Nejm, a falsa sensação de impunidade na internet impulsiona novos crimes. Crianças são alvos fáceis se não forem orientadas. Ele diz que é preciso haver diálogo entre pais e filhos e que estes devem receber conselhos e regras de comportamento também na internet. “Há no nosso site uma pesquisa direcionada às famílias e que também serve de orientação”, informa. Participar pode ser o primeiro passo para quem quer iniciar os diálogos com os filhos ou que ainda não está seguro diante da rede de computadores.
De acordo com o delegado Oliveira, os números de cibercrimes aumentam por causa da aquisição de computadores e pelo descuido dos internautas, que precisam ser cautelosos e contribuir com a polícia. “Quando se apaga uma mensagem criminosa, você só fecha a porta, mas o ladrão continua lá”, afirma. Ele ressalta que a internet é um espaço público e que não se pode esquecer que nela também há pessoas que estão dispostas a prejudicar terceiros.
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Serviço
Núcleo de Combate aos Cibercrimes – Rua José Loureiro, 376, 1º andar. Telefone (41) 3323-9448.
SaferNet – para pesquisa acesse o site www.safernet.org.br.
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Dicas
Além de manter o computador equipado com pacotes de segurança atualizados, outros cuidados devem ser tomados:
- Mantenha sua webcam e o computador desligados quando não estiverem sendo usados.
- E-mails suspeitos contêm erros de português, usam assuntos ou imagens apelativas e palavras como “ajude a repassar”.
- Ao navegar, se janelas forem abertas automaticamente (pop-ups), não utilize o botão padrão para fechá-las, aperte as teclas ctrl, alt e del no teclado e as feche.
- Se tiver filhos, aprenda a usar a internet e sites de relacionamento e de bate-papo. Além disso, verifique com freqüência o conteúdo da ferramenta histórico de navegação.
- Nunca permita que crianças acessem a internet no quarto.
- Sempre que receber um e-mail de alguma organização solicitando dados verifique pelo telefone.
- Se receber um e-mail dizendo que uma empresa oferece o valor que for, para que as pessoas repassem determinada mensagem, apague o e-mail. Esse método de arrecadação não existe.
- Ao ser ameaçado pela internet, procure uma delegacia e leve todas as informações possíveis impressas.