Você está acessando o portal antigo da Safernet Brasil.
Acesse nosso novo portal, muito mais moderno e totalmente atualizado!
MPF recebe 400 denúncias por dia contra Orkut em São Paulo
SÃO PAULO - O site de relacionamentos Orkut ajuda os usuários a encontrarem amigos, parentes e conhecer comunidades de interesse comum. Mas, nos últimos tempos, virou alvo da polícia por abrigar páginas de pedofilia, pornografia infantil e comunidades que contêm mensagens racistas e de intolerância religiosa. Em dois anos, a organização não-governamental SaferNet já recebeu mais de 130 mil denúncias de crimes de violação aos direitos humanos por meio das páginas do site.
- O maior problema é a falta de colaboração de alguns provedores que dificultam o acesso às provas. A Google precisa fazer filtros para impedir a publicação de pornografia infantil - diz o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, coordenador do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos do Ministério Público Federal em São Paulo. Segundo ele, o MPF recebe cerca de 400 denúncias por dia de crimes de pedofilia e racismo na rede.
Na última semana, outro episódio chamou a atenção das pessoas que usam o site de relacionamentos Orkut. Uma estudante de 14 anos, do Rio de Janeiro, montou um falso perfil no site identificando-se como um rapaz chamado Richard e, por dois meses, trocou mensagens com uma adolescente de São Paulo. O suposto rapaz e a garota passaram a namorar virtualmente, até que Richard discutiu com a mãe e fugiu para São Paulo para conhecer a namorada. Ao chegar na capital, a família da adolescente descobriu que Richard, na verdade, era uma menina.
- Não quero conhecer mais ninguém pela internet. Para mim, agora, todo mundo no Orkut é falso até provar o contrário - disse Sara (nome fictício), de 15 anos, que foi enganada.
O psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da SaferNet, disse que os pais precisam monitorar as ações de seus filhos nas páginas da rede virtual.
- Os pais sempre devem bater nessa tecla: seus filhos não podem confiar em quem está por trás de um perfil de Orkut ou numa sala de chat. Muitos pedófilos usam essas páginas para atrair suas vítimas - afirma.
Em abril, o Google Brasil, empresa que administra o Orkut, quebrou o sigilo de 3.261 álbuns do site de relacionamento com fotos de pornografia infantil. O material foi enviado para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI ) em Brasília, que investiga grupos de pedofilia. O Google diz que já assumiu um compromisso de criar filtros que impeçam a publicação de material ilícito. A empresa afirma que cada página do Orkut tem uma ferramenta para denúncia de perfis que ferem os termos de uso.
Site deveria ser controlado
A estudante Sara (nome fictício), de 15 anos, disse que não quer mais saber de Orkut, por enquanto. Ela foi enganada por uma adolescente de 14 anos, que dizia ser um rapaz, e por quem chegou a ficar atraída. Depois que a história foi divulgada, ela pensou em abandonar a escola, pois tem sido chamada de lésbica pelos colegas.
- Mas sei que eu não sou - afirma.
Na quinta-feira, ela saiu mais cedo da aula para evitar as brincadeiras dos amigos. Ela disse que as fotos que viu da menina pelo Orkut eram de um rapaz.
- Depois, ela apagou o perfil do Orkut, passamos a nos falar por MSN e pelo telefone, mas a voz dela era idêntica a de um menino. Nunca desconfiei que fosse uma menina. Se eu soubesse, já havia cortado nosso relacionamento virtual - conta a estudante.
Após uma briga com a mãe, o suposto menino, que se apresentava como Richard, fugiu de sua casa, no Rio de Janeiro, e veio para São Paulo atrás de Sara. Antes de desvendar sua verdadeira identidade, Richard tentou abordar a estudante. O primeiro encontro foi à noite, e "ele" estava com roupas largas e de boné.
- No primeiro dia, ficamos conversando na frente do meu apartamento. Ela tentou me beijar, mas eu não deixei. No dia seguinte, quando já sabia de sua identidade, minha vontade era bater nela, mas tive que fingir que não sabia de nada, para que ela ficasse em casa enquanto a polícia não chegava para levá-la embora - conta Sara.
Depois do episódio, a estudante disse que não teve mais contato com a garota do Rio. Ela ainda está de castigo.
- Por enquanto, não posso acessar a internet. O Orkut pode parecer muito legal, muito divertido, só que é para maiores de 18 anos e deveria ser controlado - afirma.