Você está sendo bisbilhotado

17/04/2010
Fonte: 
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,2875447,157,14518,impressa.html
Autor: 
Guilherme Neves
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional



Porto Alegre – Ficar frente a frente com um estranho capaz de qualquer coisa. Essa ideia tem atraído milhares de internautas diariamente ao site Chatroulette (www.chatroulette.com), sucesso na internet desde fevereiro. Sem necessidade de cadastro, identificação ou aceitação de regras de uso, a página estabelece aleatoriamente conexões entre usuários com webcam.

Por mais excitante que possa parecer ligar o computador e ser surpreendido a cada contato, o passatempo chama a atenção para o cuidado com a privacidade e a exposição a conteúdos indevidos na internet.

– A web ainda é nova para muita gente e há uma espécie de ingenuidade no seu uso, de levar na brincadeira coisas que podem ter repercussões imprevistas – explica Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI), da PUC de São Paulo.

Uma rápida passagem pelo Chatroulette expõe o internauta de cenas inofensivas – como grupos de amigos buscando novos contatos – a momentos constrangedores – pessoas seminuas e insinuações de sexo são alguns exemplos. Até uma simulação de suicídio já foi flagrada.

O perigo maior é para as crianças, que podem se expor a cenas chocantes demais para a idade delas.

– As crianças podem ter mais desenvoltura para lidar com a tecnologia, por terem mais contato com ela. Mas isso não significa que a maturidade emocional e o desenvolvimento cognitivo, que proporciona o critério de seleção e análise, acompanhem o grau de desenvolvimento para lidar com a máquina – adverte Rosa.

Bloquear ou proibir o acesso a sites como o Chatroulette – que já tem um equivalente brasileiro, o ChatRolé (www.chatrole.com.br) –, não é a única medida.

Webcams estão integradas a muitos computadores portáteis e são usadas por programas como o Skype e o MSN. Ver o que os filhos fazem na rede é muito importante.

- Os pais precisam saber que há risco de os filhos conversarem com criminosos que podem tentar seduzi-los para se expor. Eles têm de acompanhar a navegação – diz Rodrigo Nejm, diretor de políticas de prevenção da SaferNet.