Twitter // MP-sp recebe lista de 1.037 xenófobos

08/11/2010
Fonte: 
http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/11/06/politica10_0.asp
Autor: 
Redação - Diário de Pernambuco
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Quem diria que uma simples tuitada - linguagem usada quando se posta alguma mensagem no microblog Twitter - daria tamanha repercussão. A ONG SaferNet encaminhou, ontem, ao Ministério Público de São Paulo uma notícia crime com a relação de 1.037 perfis de usuários do Twitter que postaram mensagens pejorativas contra os nordestinos na internet. A entidade chegou a esse número por meio de denúncias recebidas entre os dias 31 de outubro, data do 2º turno das eleições, até às 18h da última quinta-feira. O dado mostra que a estagiária de Direito Mayara Petruso não estava sozinha quando resolveu externar preconceito contra os nordestinos.

O relatório da SaferNet será apensado ao procedimento aberto no MPF-SP que apura divulgação de mensagens discriminatórias contra os nordestinos. A polêmica começou logo após a vitória de Dilma Rousseff (PT) para a Presidência da República, quando a usuária Mayara Petruso postou no twitter. "Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!", escreveu.

A tuitada gerou reações imediatas, tanto favoráveis como contrárias e virou um dos assuntos mais comentados no microblog. Mayara chegou a perder o estágio durante a semana e ser reprovada pelo seu pai, o empresário Antonino Petruso. "Nunca fui chegado à política e nunca ensinei nada disso às minhas filhas. Tenho um enorme respeito pelos nordestinos e é graças a eles que consigo dar uma vida digna para minha família e pagar a faculdade de Mayara", disse Petruso, em entrevista ao iG.

Segundo a ONG, a denúncia-crime está sustentada em print screnn de vários perfis do Twitter que também postaram mensagens preconceituosas. Cabe agora ao Ministério Público decidir se repassa o caso à Polícia Federal ou se arquiva. A Ordem dos Advogados do Brasil-PE foi a primeira a denunciar a estudante Mayara Petruso por crimes de racismo e de incitação pública ao crime de homicídio.

De acordo com o presidente da SaferNet, ONG fundada desde 2005 para fiscalizar crimes de pornografia na internet, nem todas as mensagens foram originadas a partir dos comentários feitos por Mayara. Ele contou que houve várias independentes. "Recebemos mais de 10 mil denúncias. Esse número refere-se ao total recebido. Eliminando-se a duplicidade de mensagens, chegamos ao número 1.037", observou. No seu site, a ONG SaferNet divulga ainda que a xenofobia é o terceiro maior crime virtual denunciado, abaixo de pornografia e apologia a crimes contra a vida.