Traficantes exibem arsenal de guerra em site na internet

15/05/2007
Fonte: 
http://jbonline.terra.com.br/editorias/rio/papel/2007/05/15/rio20070515004.html
Autor: 
Da redação
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Aproveitando o território livre no qual se transformou o site de relacionamentos Orkut, traficantes, inclusive menores de idade, usam os álbuns de fotografia em suas páginas pessoais para exibir o arsenal em poder do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Fuzis, metralhadoras, pistolas e granadas são exibidos sem cerimônia. Ontem, o Jornal do Brasil mostrou que 10 anos de apreensões de fuzis e metralhadoras pela polícia não representaram a metade do que só a quadrilha Comando Vermelho (CV) consegue faturar em um ano.

No levantamento feito pelo JB no Orkut foram encontradas, por exemplo, comunidades dedicadas à exaltação do poderio bélico dos bandidos. A metralhadora ponto 30, capaz de derrubar um helicóptero, possui 24 comunidades em sua "homenagem". A maioria delas apresenta no título a favela onde a poderosa arma, cobiçada pela própria polícia, supostamente se encontra, como a que se chama A ponto 30 tá na Penha.

São citados Cidade Alta, Jacarezinho, Penha e Grota - as duas últimas comunidades vêm sendo alvo de operação policial há 13 dias. Em uma delas há até a indicação do suposto local onde a arma está guardada: a Rua 8, na Vila Cruzeiro, Penha, mesma rua onde a polícia apreendeu, na semana passada, folhas da contabilidade do Comando Vermelho.

No perfil de uma pessoa identificada como Rodrigo Fazendinha, em alusão a uma das favelas do Complexo do Alemão cercadas pela polícia, há uma foto do fuzil suíço Sig Sauer, que a polícia não possui. No entanto, na legenda, um lembrete informa que o "patrão" não deixa posar armado nas fotos. O fuzil, então, aparece sozinho, encostado em uma parede. O mesmo bandido mostra uma pistola, identificada como arma usada para "matar vermes", como se referem aos policiais civis e militares.

Um outro perfil, de uma pessoa não identificada, exibe a foto que simboliza a ousadia dos traficantes no Orkut. Doze jovens armados de fuzis, metralhadoras e pistolas se exibem para a câmera no alto de um morro. Até uma mulher aparece no grupo.

No levantamento também apareceram casos como o de Bráulio da Alta - nome em alusão à favela Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte. Ele se identifica como fiscal de transporte alternativo. Em seu álbum, além de imagens do filho e dos sobrinhos, ele também mostra a quem quiser ver sua "ferramenta de trabalho": um reluzente revólver carregado. Foi na mesma Cidade Alta que, no último dia 24 de abril, um bombeiro foi torturado e executado por traficantes após ser entregue, como miliciano, por um fiscal de transporte alternativo da região, já preso pela polícia.

Imagens impublicáveis de X-9 (delatores do tráfico) e de alemães (integrante de quadrilha rival) carbonizados e degolados também são exibidas nas páginas virtuais dos traficantes, que chegam a integrar comunidades como a 121 - artigo do Código Penal referente a homicídio.

O JB procurou a delegada Sânia Burlandi, titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil, mas ela não foi localizada. No entanto, policiais da unidade disseram que o sigilo imposto pelo Google - empresa que administra o Orkut - aos dados pessoais dos responsáveis pelas páginas do site de relacionamentos acaba engessando as investigações dos cerca de 15 policiais da unidade para punir os responsáveis.

Segundo eles, chegam à DRCI cerca de 50 denúncias por mês referentes a abusos no Orkut. Os policiais ouvidos dizem que já chegaram a prender criminosos a partir de denúncias sobre suas páginas no Orkut, mas, ressaltam, nunca a partir de informações fornecidas pelo Google.