BRASILIA - Durante os três anos de funcionamento da CPI da Pedofilia do Senado Federal os senadores receberam cerca de um milhão de denúncias, mas só cerca de 900 puderam ser checadas e investigadas, gerando abertura de processos e prisões em todo país. O relator Demóstenes Torres (DEM-G) divulgou nesta quinta-feira o relatório final, e anunciou que a CPI pode ser reaberta em algum momento, porque os crimes de pedofilia estão disseminados em todo país.
Segundo Demóstenes, a CPI encaminhou para o Ministério Público e Policia Federal 30 mil álbuns de Internet que ainda não foram abertos. Cada álbum desses, disse, pode ter até 50 mil acessos.
- Não é só no Pará que a situação é grave, no Ceará e em todo o país o quadro é muito complicado. Houve uma explosão de denúncias de pedofilia na CPI. Só a ONG Safernet recebe cerca de 50 mil denúncias por mês. Em três anos foram um milhão de denúncias na CPI. Um número assombroso - afirma o relator.
O relatório final da CPI lista os casos confirmados de pedofilia investigados, e as providências tomadas. Muitos foram processados, indiciados e presos.
- Há o caso confirmado de pedofilia de três religiosos de Alagoas que ainda não foram indiciados pelo Ministério Público. Estamos cobrando providências sob pena de recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público - disse Demóstenes.
Além dos processos e investigações concretizadas, ele disse que a CPI gerou a criação de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Google, e quatro Termos de Colaboração com empresas de telefonia celular e operadoras de cartão de crédito.
- O Brasil hoje tem instrumentos, leis, departamento de crimes cibernéticos da Policia Federal, e especialização de promotores e juízes para casos de pedofilia. Está todo mundo antenado, mas se for o caso, reabrimos a CPI para continuar fiscalizando - afirma Demóstenes.
Ele disse que nesses três anos a CPI tentou fazer um perfil do pedófilo no Brasil, mas isso foi impossível:
- Não existe um perfil do pedófilo: ele pode ser desde um pedreiro, como um médico ou rico empresário. São pessoas que estão dentro de casa, em contato com as crianças, e acabam cometendo crimes gravíssimos.