Técnicas para esconder bulimia são difundidas na Internet

20/10/2006
Fonte: 
[[http://www3.atarde.com.br/cidades/interna.jsp?xsl=noticia.xsl&xml=NOTICIA/2006/10/20/1023175.xml][Jornal A Tarde]]
Autor: 
Marta Erhardt
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Na rede mundial de computadores o risco de difusão das técnicas de purgação é preocupante. O alerta é da nutróloga Maria Del Rosário: “Existem cerca de 1.500 sites sobre o assunto, onde as pessoas trocam receitas de emagrecimento, dicas para não engordar e não chamar a atenção dos pais”, diz. Nessas páginas, as meninas criam códigos para falar sobre os transtornos alimentares e trocam os nomes das doenças. Anorexia é Ana e a bulimia é tratada como Mia.

No site de relacionamentos Orkut, há 26 comunidades relacionadas ao tema. A maioria se diz contra as doenças e trazem palavras de apoio para as pessoas que sofrem com transtornos alimentares, mas é comum encontrar mensagens de integrantes que explicam as técnicas utilizadas na tentativa de eliminar os alimentos ingeridos.

As pessoas que sofrem com a doença acreditam que tentar eliminar a comida com vômitos e laxantes é eficaz, mas a gastroenterologista Luísa Cabus revela o contrário: “O que é preciso evidenciar é que os mecanismos utilizados na purgação não levam à perda de peso. O que se consome em uma crise compulsiva é maior do que o que se perde com a purgação. Há casos de pessoas que ingerem até 5.000 calorias”.

A médica ressalta a importância da educação para evitar o surgimento dos quadros de transtornos alimentares. “As pessoas têm que ser educadas sobre o que é ser atraente. Não se pode direcionar o valor de um ser humano à beleza, somente. Quando isso acontece, a chance de infelicidade é muito alta. Quanto mais a auto-estima é baseada na aparência, maior a chance de insatisfação, porque o corpo é suscetível a mudanças”, destaca.