O Dia Mundial da Internet Segura, comemorado na última terça-feira (10), abriu a agenda de atividades de 2009 em prol de uma navegação mais segura e ética na rede. Durante coletiva de imprensa, em São Paulo, o presidente da SaferNet, Thiago Tavares, anunciou que a organização realizará oficinas de prevenção em 250 escolas (150 públicas e 100 privadas) em diferentes capitais do País.
“Pretendemos contar com a participação de pelo menos um representante do Ministério Público e um representante de provedor em nossa caravana”, destacou Tavares. As oficinas fazem parte do projeto patrocinado pela Petrobras, por meio de seleção pública do programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras, iniciado em dezembro de 2008.
As oficinas reforçam a preocupação da SaferNet em atuar na área de prevenção. Em 2006, como primeira iniciativa nesse sentido, a organização lançou em parceria com alunos do curso Hackerteen uma cartilha com informações e dicas de navegação segura. No ano passado, um canal de orientação foi criado e uma área específica no portal institucional com dicas e informações. Além disso, uma nova cartilha SaferDic@s, criada pela equipe da SaferNet, foi lançada em formato eletrônico. O Fundo das Populações das Nações Unidas financiou a impressão de cinco mil exemplares para serem distribuídos durante o III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração de Crianças e Adolescentes, a convite da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.
O diretor de Prevenção da SaferNet, Rodrigo Nejm, reforçou durante a coletiva de imprensa que o diálogo é a melhor tecnologia para garantir o uso seguro e ético da Internet. “Proibir ou instalar filtros no computador não evitam os perigos da rede. Os pais devem manter um diálogo franco com seus filhos e navegar junto com eles”, orienta.
Rodrigo Nejm lembrou que o acesso ao computador por crianças e adolescentes tem crescido fora de casa. “Pesquisas mostram que 65% dos jovens acessam a Internet de centros privados, as chamadas lan houses. Se não houver uma relação de confiança entre pais e filhos, quem garantirá a segurança dos jovens nesses locais?”, alerta.
No encontro com a imprensa, na sede do Ministério Público Federal em São Paulo, os procuradores do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos, Sergio Suiama, Adriana Scordamaglia e Priscila Costa Schreiner também ressaltaram a importância das ações na área de prevenção. “A Internet precisa ser vista como um espaço público como outro qualquer. As crianças e adolescentes devem ser orientadas a não postar informações pessoais na rede”, enfatiza Priscila Costa Schreiner.
O procurador Sergio Suiama explicou por que o número de procedimentos abertos no MPF relacionados a crimes cibernéticos aumentou em 318% entre 2007 e 2008. Em 2007, foram abertas 620 investigações e, em 2008, 1.975. “Esse crescimento é resultado do acordo celebrado com a Google em julho de 2008, que passou a preservar e encaminhar ao MPF provas de conteúdos ilegais existentes em páginas do Orkut. A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no final do ano passado, também permitiu criminalizar condutas antes não penalizadas, como a posse de material de pornografia infantil”, explica Suiama.