SaferNet entra com representação contra Google

20/08/2007
Fonte: 
http://www.meioemensagem.com.br
Autor: 
Eliane Pereira
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

A organização não-governamental SaferNet Brasil, que se dedica a promover o uso seguro da internet, entrou na semana passada com representação junto ao Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) contra a Google Brasil Internet Ltda. A entidade alega que estão sendo exibidos anúncios em páginas com conteúdo impróprio, ofensivo ou violento, sem conhecimento dos anunciantes. O principal alvo são as páginas do site de relacionamento Orkut, o mais popular entre os brasileiros.

A representação diz respeito ao sistema de programação de publicidade conhecido como link patrocinado, pelo qual os anúncios são relacionados a determinados tipos de conteúdo por meio de palavras-chave. Como o sistema é automático, as mensagens publicitárias podem acabar aparecendo em locais indesejados, como anúncios de produtos para bichos de estimação em páginas que fazem apologia da violência contra animais.

A SaferNet acusa a Google de não tomar medidas para agilizar a retirada do ar desse tipo de página com conteúdo impróprio, e por isso quer envolver o mercado publicitário na discussão. Na representação, questiona se anunciantes e agências estão cientes de que seus anúncios podem estar sendo veiculados junto a conteúdos "bárbaros".

Em caso negativo, pede que eles se manifestem publicamente sobre as práticas publicitárias da Google no Orkut, dizendo se existe risco para a imagem dos anunciantes ao optarem por contratar esse serviço, e se fere as regras do Conar. Procurada pela reportagem, a Google Brasil informou, através de sua assessoria de imprensa, que ainda não recebeu nada da Safernet ou do Conar e que aguardará ser comunicada para se pronunciar.

"Estamos convencidos de que os anunciantes são vítimas nesse processo e não queremos expô-los de forma alguma" garante Thiago Tavares Nunes de Oliveira, presidente da SaferNet Brasil, que coleciona uma série de exemplos de anúncios de empresas idôneas e até de sites de religião exibidos em páginas com conteúdo pornográfico e violento.

Direitos Humanos

Segundo Oliveira, há dois anos que a entidade tenta, sem sucesso, fazer a empresa tomar providências: por isso a estratégia agora é envolver o Conar na questão. Na representação encaminhada ao órgão são listados artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Código de Defesa do Consumidor, da Constituição e o próprio Código de Auto-Regulamentação Publicitária, que estariam sendo desrespeitados.

A Safernet alega que, apesar de seus pedidos para que os vícios presentes no Orkut sejam sanados, por ferir os direitos humanos, eles continuam. "E o pior, com anúncios publicitários associados a esses conteúdos - ou seja, a Google ainda aufere ganho financeiro com isso. Não achamos que seja intencional, mas a situação é resultado da omissão da empresa", diz Oliveira.

Vale lembrar que o site de relacionamento Facebook, muito popular no Reino Unido e nos Estados Unidos, há duas semanas perdeu anunciantes de peso (como Vodafone, Virgin Media, Halifax General Insurance e Pru Health) depois que anúncios dessas empresas foram expostos próximos a páginas do partido de extrema direita British National Party.

Segundo o diário britânico Financial Times, a repercussão das decisões dos anunciantes chamou a atenção do mercado para o baixo controle sobre os locais onde anúncios são exibidos, no caso de sites como o Facebook. Para evitar esse tipo de problema, alguns sites de relacionamento social simplesmente evitam vender anúncios ao lado das páginas dos usuários.