Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/informat/fr2006200712.htm
Reação ao ataque dos trolls
Blogueiros debatem criação de código de boas maneiras
Há algo de podre na blogosfera, a massa de páginas pessoais que deve chegar aos 100 milhões de sites até o final deste ano, segundo o Gartner. A interação entre autores e leitores, uma das marcas dos diários, transformou-se em veículo para que descontentes e galhofeiros perturbem meio mundo.
Impulsionados pelo anonimato oferecido pela internet, os agitadores abusam do espaço para críticas, ofendendo autores e desviando o foco de discussões. Esse tipo de arruaceiro ganhou o apelido de troll -uma criatura mitológica de má fama- e passou de caçador a caça.
Para o criador do Br-Linux.org, Augusto Campos, que faz a mediação de discussões em torno do software livre desde 1996, a figura do troll pode ser exemplificada por um velho conhecido. "Você deve lembrar do Pedro de Lara, jurado de programas de auditório. O papel dele era sempre discordar, falar o oposto dos outros e nunca ser convencido, ceder ou mesmo tentar convencer o público com argumentos. Ele só falava alto e repetia", diz Campos, que lançou a campanha "Não alimente os trolls".
Nos EUA, o incômodo causado pelos comentaristas desbocados chegou ao extremo. Em abril deste ano, uma autora de livros sobre programação foi ameaçada de morte, ficou traumatizada e deixou de blogar.
O caso gerou comoção entre gurus da web, como o criador da Wikipédia, Jimmy Wales, resultando na gestação de um Código de Conduta dos Blogueiros, que está em fase adiantada de produção e é aberto para colaborações de qualquer usuário.
"As pessoas têm visões diferentes sobre o que é aceitável em um blog. Por isso, procuramos assegurar que o Código possa ser adaptável para que o máximo de pessoas possa usá-lo. Assim, a comunidade do blogging.wikia.com fez rascunhos que podem ser seguidos por quem concorda com eles", diz Angela Beesley, uma das líderes da iniciativa.
O criador do veterano blog nacional BlueBus.com.br, Julio Hungia, acredita que o Código ajudará a conter o comportamento dos trolls. "Alguns acham perigoso definir quem vai dizer o que é um "comportamento aceitável", mas, ainda assim, fico com a necessidade de estabelecer princípios que organizem e dêem contorno às manifestações de leitores e de blogueiros."
Independentemente da adoção do Código, os blogueiros já se armaram para conter os comentários inadequados. São técnicas para a confirmação que inibem os anônimos e publicam apenas aquilo que o autor do blog deseja. Nas próximas páginas, você verá o tamanho da bagunça que os trolls andam fazendo e vai conferir como ativar a proteção em seu blog.
Código propõe civilidade aos visitantes
TÁBUA - Motivados por colega ameaçada, blogueiros dos EUA criam conjunto de regras para evitar abusos dos seus leitores
DA REPORTAGEM LOCAL
Existem formas mecânicas de moderar os comentários, como cadastrar usuários e exigir aprovação do autor do blog para a publicação. Mas a discussão sobre o que deve ou não ser barrado é mais filosófica do que prática.
Talvez por isso, o empresário Tim O"Reilly tenha entrado de cabeça no tema e criado as bases para a formação do Código de Conduta dos Blogueiros (
http://blogging.wikia.com/wiki/Blogger's-Code-of-Conduct).
O irlandês é dono de uma das editoras de livros técnicos mais importantes do mundo, a O"Reilly Media, e é creditado como o pai do termo "web 2.0".
Sensibilizado pelas ameaças sofridas por Kathy Sierra, o guru uniu-se a outros nomes fortes da internet atual, como o criador da Wikipédia, Jimmy Wales, e Angela Beesley, co-fundadora do portal Wikia.com.
O resultado é uma obra aberta e em constante evolução. "Mais de cem usuários participam do projeto criando e comentando os módulos", disse Angela Beesley.
Os módulos são como versões modernas dos dez mandamentos bíblicos.
Diferentemente dos dizeres cravados na pedra, porém, os itens do Código dos Blogueiros podem ser seguidos apenas em parte. "O Código é muito sujeito a interpretações diferentes, mas, essencialmente, a idéia é fazer as pessoas conscientes sobre a responsabilidade do que elas escrevem", resume Beesley.
Mordaça
Os módulos do Código ditam regras para que comentários inadequados sejam apagados.
Essas orientações levantam outra questão: o que é moderação e o que é censura? "Moderar é mostrar que você não quer que alguém diga certas coisas no seu blog. Você não está censurando, até porque podem publicar idéias contrárias em qualquer outro lugar", diz Beesley.
Escritora ameaçada vira símbolo
"Enquanto digito isso, deveria estar em San Diego apresentando palestras. Mas não estou. Estou em casa, com portas trancadas, horrorizada."
Foi com esse testemunho em seu blog que a autora de livros técnicos Kathy Sierra transformou-se em bandeira para a criação de regras claras para a moderação de blogs.
Em abril deste ano, Sierra foi perseguida por um grupo de trolls, que, além de publicar comentários ofensivos em sua página pessoal, criou sites para publicar imagens e textos que a ameaçavam .
Às vésperas de apresentar uma palestra na conferência ETech, Sierra publicou um longo texto revelando o terror que sofria -e dizendo que não se sentia segura nem mesmo para sair de sua própria casa.
De acordo com a autora, usuários dos blogs UncleBobism e MeanKids.org (crianças más, em tradução para o português) publicaram uma fotomontagem em que Sierra apareceria sufocada e violada ao lado de uma forca.
"Minha primeira reação foi pensar: "É claro que ele realmente não está falando sério'", escreveu. "Mas, o "engraçado'foi pensar que a pessoa é anônima, que ela já havia feito comentários com teor sexual contra mim e que normalmente adultos sãos não cruzam essa linha -especialmente porque sabem que essas ameaças são crimes federais", concluiu.
Atualmente, o blog Creating Passionate Users (headrush.typepad.com/creating-passionate-users), da autora, não recebe mais atualizações. Isso não quer dizer que o caso tenha sido esquecido.
Até inimigos declarados de Sierra prestaram solidariedade. David Locke, um dos trolls acusados pela própria autora de incitar outros usuários a persegui-la, afirma ter conversado pessoalmente com a blogueira para negar seu envolvimento com a publicação da imagem da forca e dizer que estava comovido.
"O material ao qual ela se referiu é assustador e vai além do mau gosto. Aquilo foi o motivo para apagarmos os dois blogs que continham as fotomontagens", escreveu Locke. Sierra também escreveu suas impressões sobre a conversa com seu antigo inimigo. A autora diz que concorda que a sua situação pode ser usada como ponto de partida para discussões importantes.
"Meu desejo é abrir um debate sobre o assunto, não estabelecer limites. O grande suporte que eu recebi me deixou esperançosa, e o lado positivo de tudo isso são as conversas que tive com muitas pessoas. Esse pode ser um momento muito importante se pararmos, pensarmos e discutirmos qual é o tipo de cultura on-line que realmente queremos", conclui Sierra.
A versão completa dos comentários dos dois blogueiros, em inglês, pode ser lida no endereço
www.rageboy.com/statements-sierra-locke.html.
No Brasil, donos de sites polêmicos ignoram ou calam os descontentes
Os trolls também aprontam das suas na terra do curupira. E não há preferência por alvo.
Acostumado às polêmicas promovidas pelo Cocadaboa.com, site que faz humor com os mais diversos tipos de personalidade, Wagner Martins diz não temer as ameaças que chegam via internet. "Atrás do teclado, todo mundo diz que faz e acontece, mas no cara a cara a atitude é bem diferente. Mesmo com as ofensas que recebo diariamente, nunca recebi uma crítica ao vivo", diz o autor, apelidado de Mr. Manson.
Augusto Campos, do BR-Linux.org, promove discussões sobre informática desde 1996 e, cansado do comportamento de alguns leitores, criou a campanha "Não alimente os trolls".
"Sem obter respostas e desviar o tema em pauta, a atividade do troll perde a graça", diz Campos, Cocadaboa e BR-Linux não filtram os comentários enviados.
Essa prática é pouco comum nos blogs mais badalados, como os diários do jornalista Juca Kfouri (blogdojuca.blog.uol.com.br) e do político Zé Dirceu (blogdodirceu.blig.ig.com.br).
Ambos contam com assistentes que lêem os comentários antes da publicação e apagam as ameaças e ofensas.
"Isso educa o público. De 300 comentários, precisamos apagar mais ou menos seis", diz o editor-executivo do UOL Esportes, Alexandre Gimenez.
No caso do político blogueiro, a filtragem dos comentários precisa levar em conta outros aspectos. As regras do site proíbem denúncias levianas. "Antes de mais nada, vale a ética como um princípio. Consideramos levianas as acusações infundadas, irresponsáveis", respondeu Dirceu por meio de sua assessoria.
Comunidades do Orkut são alvo da má educação on-line
As comunidades do Orkut são um prato cheio para os trolls.
Nos fóruns de discussão da rede de relacionamentos, é possível perturbar os outros usuários das formas mais variadas. A chateação vai desde a publicação de tópicos inadequados até o envio de scraps ofensivos.
O criador da comunidade "Eu odeio acordar cedo", João Paulo Mascarenhas, diz que tem um trabalho árduo para conter os usuários malcomportados. Segundo ele, a comunidade com mais de 3,9 milhões de membros tem cerca de 50 tópicos apagados todos os dias. "Acho que o que faz o usuário ter esse comportamento é a falta de contato visual com as pessoas", diz Mascarenhas.
Outra comunidade que exige esforço dos seus administradores é a "Corinthians", com cerca de 220 mil membros. O fórum tem nada menos que nove mediadores e há trabalho para todos eles. "Cada um modera de acordo com sua disponibilidade. Antigamente mais tópicos eram apagados, creio que, à medida que os membros se acostumam com as regras, a quantidade dos tópicos "nonsense" diminui", explica a mediadora Débora Almeida.
"Mas continuamos apagando muitos tópicos mesmo assim. Quando algum rival perde, o pessoal abusa. São inúmeros tópicos zoando o adversário na primeira página e nós temos que passar a faca mesmo", resume.
Ofensa via internet pode render multa e prisão para o agressor
A pessoa ofendida, caluniada ou difamada na internet tem o direito de procurar seu advogado e processar seu agressor. Qualquer um pode criticar o conteúdo de um texto, mas, se essa crítica contiver acusações falsas que ofendam pessoalmente o autor, a atitude pode ser considerada um crime contra a honra e denunciada como tal.
"Você pode dizer: "Não gosto da voz do cantor porque ela é muito aguda". Mas há difamação se você diz: "Não gosto do artista porque ele é um picareta'", explica o advogado especializado em direito eletrônico Renato Ópice Blum.
As penas para quem for condenado por crimes contra a honra seguem as definições do Código Penal e do Código Civil -o que propicia decisões mais fáceis e rápidas para os casos. "Há registro de condenações com pena de um ano e de indenizações de 200 salários mínimos", afirma Blum.
Também existem casos em que a decisão judicial exige a retratação do ofensor ou obriga os responsáveis pela hospedagem dos sites a retirar o material ofensivo do ar. No caso de demora para aceitar a ordem, é cobrada multa.
Dependendo do tipo de denúncia, o autor do blog pode ser responsabilizado por comentários feitos por anônimos. Por isso, é preciso ficar atento ao conteúdo das mensagens publicadas no seu site.
Como se defender
De acordo com os especialistas, o passo essencial para acusar um ofensor é preservar o maior número de provas do abuso. Guardar arquivos, cópias impressas das telas dos sites e convocar testemunhas estão entre as medidas iniciais. Dependendo do caso, o ideal é convocar um tabelião de cartório de notas, para registrar uma evidência.
"O ideal é seguir todos os procedimentos, pois um complementa o outro. Após a preservação, um advogado poderá indicar qual é a melhor ação para o caso. Pode ser uma queixa-crime, uma ação de indenização ou os dois procedimentos", diz Blum.
Caso de polícia
Nas principais capitais brasileiras já existem divisões da polícia civil especializadas em crimes eletrônicos. Em São Paulo, as queixas podem ser encaminhadas à 4ª Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, por meio do endereço eletrônico
4dp.dig.deic@policiacivil.sp.gov.br.
Orkut na mira.
Na última semana, a sede do Google, nos EUA, firmou um acordo de cooperação com as autoridades brasileiras. A parceria facilitará o trabalho dos Ministérios Públicos dos Estados na identificação dos autores de crimes, abrangendo as ameaças e o racismo, cometidos por meio do Orkut.
As autoridades de Minas Gerais e do Rio de Janeiro devem ser as primeiras beneficiadas pelo acordo, que também prevê a remoção de sites com conteúdo impróprio em até 24 horas. O Orkut tem cerca de 55 milhões de usuários no mundo e cerca de 36 milhões deles são cadastrados como brasileiros.
Veja como moderar comentários no blog
CAMADAS - Opções para restringir e para controlar as participações dos visitantes podem ser configuradas com facilidadereportagem de capa
Para o dono de blog que tem tempo e paciência, a melhor opção é receber os comentários via e-mail antes que eles sejam publicados. Assim, é possível evitar constrangimentos e garantir a qualidade dos comentários.
Também é possível arriscar um pouco mais, dando liberdade para os comentários de usuários já cadastrados. Em comparação com a primeira tática citada, a liberação parcial ganha em agilidade e em facilidade, pois dispensa o acompanhamento do administrador do blog. Há ainda a terceira e mais radical das opções, que é remover o link para os comentários.
Vale lembrar que esses recursos podem ser ativados e desativados sem maiores dificuldades. Os serviços de hospedagem gratuita de blogs usam modelos prontos de página, que oferecem opções para alterar o nível de moderação sem dificuldades.
A seguir, você conferirá os passos para configurar um diário hospedado pela versão em português do serviço Blogger.com.
Usuários do UOL (blog.uol.com.br), do IG (blig.ig.com.br) ou de outros portais nacionais devem encontrar as opções equivalentes em seus sites. Quem optar por um serviço personalizado de publicação, como o popular Movable Type (
www.movabletype.org), deverá programar as opções de acordo com as especificações de uma linguagem própria, mas igualmente fácil.
Quem pode
Depois de entrar no sistema do Blogger com seu usuário e senha, clique no link Configurações. Entre as opções que aparecem nessa categoria, clique em Comentários. Nessa tela, estão as principais opções para moderação. O administrador do blog poderá ativar e desativar qualquer uma delas quando bem entender. Colaboradores com privilégios restritos podem não encontrar essa opção.
A primeira decisão a ser tomada é escolher quem terá o direito de comentar os posts do blog. É possível restringir o acesso à janela de comentários somente aos usuários cadastrados no Blogger ou apenas a membros do site, que são autorizados pelo administrador. Também está nesse item a opção mais radical, que desativa todos os comentários.
Embora restrinja a interatividade com os visitantes, remover o link para comentários pode ser uma tática interessante para quem está começando e tem poucos visitantes. Pode ser melhor não mostrar vários posts que não tiveram resposta.
Filtro
Ainda na tela Comentários, dentro da opção Configurações, você pode ativar o mecanismo para a aprovação prévia dos comentários que chegam. Para tanto, é preciso escolher Sim, na pergunta "Ativar moderação de comentários?" e, logo em seguida, informar um endereço de e-mail para que as mensagens sejam encaminhadas.
Para evitar spam nos comentários, também escolha Sim, na pergunta "Exibir uma confirmação de palavras para os comentários?". Dessa forma, antes de enviar um comentário, o visitante terá que digitar uma seqüência aleatória de letras e números. Essa medida simples evita que mecanismos de propaganda indesejada publiquem comentários com publicidade inútil e links para vírus.
No Orkut
Os donos de comunidades do Orkut podem controlar melhor o comportamento dos seus membros e visitantes. Após entrar na sua comunidade, clique em Editar perfil. Em Tipo de comunidade, escolha: Moderada -o mediador precisa aprovar pedidos de participação. Também marque a opção Não-anônima -não permitir postagens anônimas. Por fim, escolha a opção Desativada - não permitir que membros enviem mensagens. Dessa forma, você escapa dos incômodos causados pelos mecanismos maliciosos que distribuem propaganda e ainda evita visitantes indesejáveis. (JB)
"Ofensor é inseguro", diz especialista
Tornar-se anônimo na internet ou criar um pseudônimo é a primeira providência de um troll. Para as especialistas ouvidas pela Folha, o anonimato da rede sublinha traços que as pessoas já apresentam em outras situações sociais do dia-a-dia.
Uma das especialidades dos trolls é baixar o nível de uma discussão apelando para o "bullying", termo em inglês que define intimidações ou ofensas motivadas por algum preconceito contra agredido.
"Isso acontece em escolas, no trabalho ou em locais onde uma pessoa obesa, por exemplo, sofre perseguições por parte dos colegas", afirma a psicóloga e psicoterapeuta especialista em Gestalt-terapia Rosana Zanella. "Na internet, ocorre o mesmo, mas o agressor se aproveita do anonimato para vitimizar, perseguir e judiar de um desafeto", conclui Zanella.
A psiquiatra Vera Viveiros Sá, da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (
www.sbpa.org.br), também considera o anonimato uma ferramenta para os agressores, mas vai além.
Empresas cuidam de identidade on-line
BONITO NA FOTO Por até US$ 10 mil, americanos oferecem serviços para esconder seus momentos negativos da internet
PAUL THOMASCH
DA REUTERS
Um personagem de "Boomsday", o novo livro de Christopher Buckley, fatura alto ao inventar o Repelente de Aranha -um programa de computador capaz de procurar e apagar qualquer coisa ofensiva sobre alguém que tenha sido colocada na internet.
"Era tão simples que ele se perguntava por que ninguém havia pensado naquilo antes", escreve Buckley.
Infelizmente, o Repelente de Aranha existe apenas em um romance, o que significa dizer que, ao realizar uma busca com seu nome nos engenhos on-line do Google ou do Yahoo, alguém pode encontrar coisas que preferiria não ver.
De toda forma, há esperança para pessoas com fotos, postagens de blog ou vídeoclipes constrangedores rolando soltos pela internet.
Essa pessoa pode adotar por si mesma medidas para limpar sua imagem no mundo on-line ou entrar em contato com empresas que cobram até US$ 10 mil para fazer esse serviço.
"As pessoas tomam suas decisões umas sobre as outras com base no que encontram on-line -decisões, algumas vezes, defi- nitivas- antes de se encontrar cara a cara, na vida real. Isso vale para tudo o que as pessoas acham ser importante- o que abrange a vida profissional, a dignidade e o sentimento de si mesmo", afirma Michael Fertik, diretor-executivo da empresa Reputation Defender (
www.reputationdefender.com).
"É fundamental saber o que há on-line sobre você e tentar controlar isso ao máximo", acrescentou.
"E você pode fazer isso sozinho ou com a ajuda de uma empresa como a minha", completa Fertik.
Empresarial
Fundada no ano passado, a Reputation Defender oferece como seu principal produto a MyReputation/MyChild.
Por cerca de US$ 10 por mês, a empresa realiza buscas aprofundadas na internet e relata suas descobertas. Uma pessoa familiarizada com a web poderia gastar de três a quatro horas por mês a fim de obter os mesmos resultados, segundo a empresa.
O cliente tem a opção de pedir à empresa que tente remover ou, ao menos, torne menos aparente qualquer item constrangedor.
O preço é de US$ 30 por item removido, mas, segundo Fertik, esse processo nem sempre é capaz de render resultados bons.
"Nós não investigamos os artigos jornalísticos ou os arquivos governamentais", afirma Fertik, que é formado na Faculdade de Direito da Universidade Harvard.
"As coisas que procuramos são coisas do dia-a-dia -talvez algum resquício dos anos de faculdade ou algo que sobrou em um fórum de discussão quando você era um funcionário em começo de carreira", exemplifica.
Para executivos, gerentes de fundos de "hedge" ou empresas com grandes orçamentos, a Reputation Defender oferece um produto, o MyEdge, que custa pelo menos US$ 10 mil e que promete medidas mais drásticas para melhorar a imagem do cliente.
Alternativas
Não é necessário ser rico, no entanto, para se apresentar da melhor forma possível quando o assunto é a internet. Se você não gostar de alguma coisa que encontrou sobre você mesmo na rede, um dos melhores remédios é criar um blog.
Esse é um processo bastante simples e que pode ser feito em sites como o Blogger (
www.blogger.com) e o WordPress (wordpress.org), entre outros. Em seu próprio diário virtual, você poderá administrar sua identidade on-line por meio das postagens e conseguirá influenciar o resultado das buscas feitas com seu nome. Os profissionais que dominam melhor seus computadores podem criar sua própria página.
No caso de um site ou de um blog ser algo desafiador demais, Fret Stutzman e Terrell Russell, dois estudantes Ph.D da Universidade da Carolina do Norte, fundaram uma empresa chamada claimID (claimid.com). Essa empresa promete consolidar e reunir os resultados de buscas feitas com seu nome.
"Não inventamos nenhuma nova tecnologia", afirmou Russell. "Isso tudo já está à disposição. Alguém já pode fazer isso, se tiver paciência de ler a esse respeito, gastando horas com esse processo", diz. Ele acrescenta um exemplo: "É possível até mesmo consertar o próprio carro, se alguém desejar realmente fazer isso".
O claimID começou dentro de um pequeno círculo de amigos, em janeiro de 2006, antes de passar a atender o público em geral, seis meses mais tarde. O site oferece seu serviço de forma gratuita e possui cerca de 17 mil membros atualmente.
Segundo Russell, eles criaram o site -que permite, em resumo, que um usuário consolide sua identidade on-line em um único lugar -quando perceberam que, na qualidade de candidatos ao programa de doutorado ou como professores, teriam várias pessoas fazendo pesquisas on-line com seus nomes.
A Naymz (
www.naymz.com) é outra empresa que cria páginas pessoais e links para sites como a rede social MySpace, blogs e álbuns de fotos on-line. A Naymz depois coloca essas páginas no alto dos resultados de sites de busca, comprando anúncios que acompanham essa ou aquela palavra-chave no Google.
"A identidade on-line está se tornando cada vez mais importante", afirmou Tom Drugan, co-fundador da empresa. "Isso é algo com o que as pessoas precisam se preocupar, especialmente os profissionais, que precisam saber o que está sendo dito a respeito deles na internet", afirmou.
Tradução de RODRIGO CAMPOS CASTRO
Rede social confiável é nova meta
Confiança e reputação. Dois valores antigos podem ajudar a internet a ser mais civilizada.
Na Wikipédia, autores veteranos ganham status, podendo barrar alterações em tópicos polêmicos, como perfis políticos.
Na enciclopédia on-line Citizendium.org, a filtragem de conteúdo é levada ainda mais a sério: o site só aceita contribuições de especialistas que comprovem suas formações. Em busca da credibilidade perdida, há até um esquema de verificação de autenticidade para anúncios amorosos.
A empresa Trufina (
www.trufina.com) permite que seus clientes usem um selo de qualidade para os seus perfis em redes como a Match.com e a MySpace. Assim, os pretendentes podem ter certeza sobre dados como a idade e o estado civil do candidato.
A IDology é outra empresa que promete dificultar a vida de falsários. Por meio de um questionário on-line chamado ExpectID IQ, o site garante conseguir filtrar a audiência, barrando crianças em páginas com conteúdo para adultos. (JB)
"A opinião popular reconhece a utilização do anonimato como forma de extravasar agressividade. Mas esse comportamento, a meu ver, também explicita a grande crise que estamos vivendo. Dos reality shows aos blogs, o atual festival de singularidades exibe tudo, a oferta é grande", diz Sá.
"Por meio do politicamente incorreto, anônimos viram celebridades. Nesse universo, ofender outra pessoa pode se transformar em um artifício para ser notado", conclui.
Conseqüências
A idade média dos internautas é um dos fatores que ajudam a explicar o problema. De acordo com números do Ibope/NetRatings, 45% dos internautas brasileiros estão na faixa entre 2 e 24 anos. São 15,9 milhões.
Os adolescentes, principais usuários das redes sociais do tipo Orkut, dos mensageiros instantâneos e dos blogs, passam por fases de auto-afirmação, em que precisam se posicionar em grupos ou tribos. Dessa forma, aquele que ofende ou persegue uma pessoa de uma tribo rival ganharia a admiração de seus iguais.
"Os ofensores são inseguros. Com dificuldades para estabelecer contatos via afeto, eles se tornam presentes na vida dos outros por meio de suas maldades. Às vezes, pode ser essa a forma de contar ao mundo que ele existe. Pode ser a única via de expressão de seus complexos", diz Zanella.
Para a especialista, a vítima de ataques morais via internet deve obrigatoriamente procurar ajuda e denunciar seus agressores. Para não chegar a situações extremas, os pais devem conferir o comportamento dos seus filhos. (JB)