Processo a pais descuidados

20/08/2010
Fonte: 
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Autor: 
Redação | A Notícia
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Casos de autoexibição, embora cada vez mais comuns, são menos conhecidos que os de cyberbullying. “A intimidação on-line está crescendo de forma intensa. O adolescente faz piadinha com um colega da escola e acha que, por ser pela internet, não machuca”, observa Rodrigo Nejm. Pesquisa da Safernet em fevereiro revelou que 33% dos brasileiros entre dez e 17 anos admitem ter um amigo que já foi vítima desse tipo de violência.

No Orkut, por exemplo, há comunidades com depoimentos de gente que sofreu essa espécie mais recente de bullying. “É mais grave que o tipo tradicional. Quando vira cibernético, não adianta mudar de escola. Os amiguinhos de outros lugares podem encontrar as informações e divulgar na rede. O País inteiro pode ter acesso à humilhação. Aqueles dados ficam disponíveis para sempre e podem voltar a perturbar quando o adolescente se tornar adulto”, resume Rodrigo.

Os pais têm um motivo a mais para ficarem atentos. Eles podem ser condenados na Justiça por atos ilícitos praticados pelos filhos na internet, caso estes sejam menores de idade. “Se os pais não sabiam o que eles andavam fazendo, podem responder por indenizações por danos morais”, explica o especialista em direito eletrônico e professor da Fundação Getulio Vargas Renato Opice Blum. “Porém, se os pais sabiam que o filho estava cometendo um crime e toleraram isso, podem assumir a pena do crime praticado pelo filho”, complementa.

Os especialistas recomendam alguns cuidados preventivos. “O computador deve ficar em um espaço coletivo da casa, como a sala de estar. Também deve haver controle do tempo que o filho passa na internet, sobretudo quando é criança”, aconselha Rodrigo. “Com o adolescente, é mais complicado, ele sempre quer passar do limite”, acrescenta.

A professora universitária Marcília Dalusto, de 44 anos, sabe disso. “Não consigo regular, eles querem sempre mais”, reclama ela, mãe de dois rapazes de 14 e 17 anos. O mais velho, Pedro, confirma: “No papel, a gente pode ficar no máximo duas horas e meia, mas sempre extrapolamos. De vez em quando eles (os pais) são mais rigorosos, outras vezes chegam cansados do trabalho e deixam passar”.