A velocidade e intensidade com que as informações se propagam no Twitter levou as guerras cibernéticas (discussões ferrenhas com pontos de vista radicalmente opostos) a patamares até então inéditos na nossa internet. Discussões no microblog, pontuadas por tópicos como #ForaNordestinos e #HomofobiaSim, nos últimos dias, reviraram o quadro que mantinha escondidos, sob espécie de véu de hipocrisia, atentados a direitos humanos como preconceito de gênero, origem, orientação sexual ou racismo.
"É claro que comunidades de Orkut e fóruns de discussão sempre enfrentaram esses mesmos problemas, mas a velocidade do Twitter fez com que a coisa repercutisse com muito mais intensidade. As proporções são assustadoras mesmo", diz Thiago Tavares Nunes de Oliveira, presidente da SaferNet, associação civil que mantém a ferramenta www.denunciar.org.br, que recebe as denúncias citadas no começo da reportagem.
Sob o aparente anonimato da internet, aparece todo tipo de opiniões chocantes, de teor violento. Para a professora Regina Helena Alves, do Observatório das Eleições, plataforma desenvolvida pela UFMG para acompanhar discussões em mídias sociais durante o período eleitoral, o problema começou a dar sinais de alarme durante o pleito. Culminou no caso de Mayara Petruso, estudante paulista que publicou mensagens de ódio aos nordestinos, de acordo com ela, responsáveis pela vitória da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff (tese, aliás, que se revelou falsa).
Para a professora, "é uma onda similar à que a internet americana atravessou, com as eleições do presidente Obama. As opiniões divergentes aparecem e causam rebuliço. Problema grave mesmo é quando a coisa chega a tom de ameaças de morte, como em alguns casos no Brasil". Nesta edição do Informátic@, mostramos como denunciar conteúdos ofensivos na web, além de como ensinar como proceder no caso de ofensas que ainda não foram tipificadas como crime no Brasil.