Fonte:
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2007/10/03/297989422.asp
SÃO PAULO - O potencial de negócios na América Latina é extremamente mal aproveitado no mercado de publicidade online. Com essa avaliação, e assegurando que a região tem condições de melhorar esse cenário, é que o gigante de internet Google vem intensificando suas operações no continente.
Em todo o mundo, na média, apenas entre 3% e 7% do orçamento de publicidade dos grandes anunciantes é direcionado à internet. É muito pouco se levado em conta que, também em média no mundo, as pessoas gastam entre 33% e 45% de seu tempo conectadas, diz a vice-presidente de operações do Google para a América Latina, Sukhinder Singh Cassidy.
Segundo ela, na região que supervisiona, apesar dos altos índices de utilização da web (o Brasil, especificamente, é um dos líderes mundiais), os investimentos em publicidade online são muitas vezes inferiores até à média mundial. Mas isso significa que o potencial também é enorme, afirmou a executiva.
Por isso, nos últimos meses, foram inaugurados novos escritórios da companhia na região: no Brasil (onde há um centro de pesquisa em Belo Horizonte e a sede é em São Paulo), no México e, mais recentemente, na Argentina.
No escritório da Argentina, vamos gerenciar todos os negócios de publicidade com pequenas e médias empresas de língua espanhola, inclusive na Espanha, diz ela.
O trabalho do Google na região - que não é muito diferente no restante dos outros mercados onde atua - se dá principalmente junto aos anunciantes, segundo a executiva. Precisamos trabalhar próximos aos anunciantes, para ajudá-los a diminuir essa diferença entre o gasto em publicidade online e o tempo de exposição dos consumidores à internet, diz. Para isso, explica, é preciso criar formas de garantir que o dinheiro gasto pelo anunciante não será desperdiçado no público online errado.
Outra parte do trabalho da empresa é aumentar sua experiência para encontrar soluções mais apropriadas para atender os anunciantes. Por isso, hoje já estamos verticalizando, criando segmentos de mercado para falar com clientes de atividades específicas, diz ela.
Para conseguir isso, o Google também tem investido no aumento de seu portfólio de ferramentas e aplicativos e de produtos, que podem - como o YouTube - se tornar interessantes para anunciantes.
Nessa linha, a empresa também continua sua avaliação e desenvolvimento do site de relacionamentos Orkut.com. O objetivo, diz Sukhinder, realmente é ganhar dinheiro com o site, mas isso só virá depois de a empresa torná-lo um ambiente seguro e limpo. Muito popular na América Latina, mas especialmente no Brasil, o Orkut tem sido uma fonte atrito entre o Google e as autoridades brasileiras, que batem de frente com as regras de privacidade que a empresa segue quando solicita informações pessoais de suspeitos de atividade ilegal, como pedofilia e crimes de ódio.
Não queremos atrapalhar as autoridades, mas não posso simplesmente oferecer informações sobre um usuário toda vez que alguém bate em nossa porta. Temos que seguir o que manda a lei, diz o presidente da empresa no Brasil, Alexandre Hohagen. Todas as vezes que recebemos autorização da Justiça para liberar informações pessoais de um usuário à polícia, realizamos isso, diz. Não somos nós que cometemos um crime, mas o usuário, mas também não podemos violar a privacidade de alguém sem justificativa legal, completa.
Por conta de problemas desse tipo é que, segundo Sukhinder, o Google ainda não considera o Orkut um produto pronto. Temos que limpar o Orkut e fortalecer seus filtros. Apenas depois disso é que vamos pensar em monetizar o produto, diz. Mas, muito provavelmente, quando isso ocorrer, a receita deverá vir na forma de publicidade, avalia.
Ainda de acordo com Hohagen, a mudança do comando das ações judiciais no Brasil para liberar informações do Orkut passou para a equipe brasileira (antes era comandada dos EUA) simplesmente porque a operação no país cresceu o suficiente para justificar uma espécie de departamento jurídico local. Mudamos a origem da defesa, que era feita de fora e agora é feita aqui no Brasil. Mas nossos argumentos continuam sustentados na mesma base de antes, de que não podemos abrir informações privadas sem autorização judicial específica, diz ele.