Por uma internet mais segura para os jovens

28/02/2009
Fonte: 
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/03/01/brasil2_0.asp
Autor: 
Diário de Pernambuco
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

São Paulo - A funcionária pública brasiliense Celeste de Castro, 42 anos, deu de presente para a filha de 13 anos um computador - instalado no quarto da garota. A adolescente havia feito esse pedido quando completou 11 anos, mas a mãe protelou, com receio de que a menina ficasse exposta a crimes virtuais. Mês passado, a filha começou a se conectar à web e a mãe passou a não dormir direito. "Tenho medo de que ela seja vítima de pedofilia", diz.

O medo de Celeste não ocorre à toa. "Antes, a recomendação mais recorrente dos pais era 'não abra a porta para estranhos, não aceite bala de pessoas que você não conhece'. Hoje, esses perigos, que estavam na rua, estão dentro de casa e chegam pelo computador. A internet é uma porta aberta", diz a especialista em educação infantil Âmbar de Barros. Segundo ela, a internet é ótima ferramenta quando aplicada corretamente, mas é preciso educar os filhos para utilizá-la.

A organização não-governamental SaferNet, o Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Padre Anchieta criaram um protocolo de intenções para promover o uso consciente e ético da rede mundial de computadores por pais, crianças e adolescentes. "As pessoas ainda não estão conscientes de que a internet é um espaço público, em que não se pode expor dados pessoais. Temos de pensar que você não coloca dados pessoais, como álbum de fotos, em uma praça de alimentação de um shopping, por exemplo. As informações que você não divulga na rua não devem ser divulgadas na web", ressalta Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da Safernet Brasil. Segundo ele, falta consciência dos usuários.

Assim que a filha de Celeste acessou a internet, ela fez um perfil no Orkut. Seguindo orientação de uma psicóloga, a mãe se ofereceu para ajudar a garota a montar o perfil. "Até as fotos ajudei a escolher. Não deixei ela publicar fotos com roupa de banho, porque sei que atrai pedófilos", conta. Ela também contratou provedor que envia por e-mail todos os conteúdos acessados pela filha. "Éuma medida de segurança", diz.

Consequências - Há cinco anos, os países da Europa criaram o Dia da Internet Segura, 10 de fevereiro (também comemorado no Brasil), como a data dedicada a conscientizar os internautas a tomarem cuidado com crimes como a pornografia infantil e crimes como xenofobia, racismo e homofobia. "As pessoas têm de entender que a internet não é terra de ninguém. Hoje, temos casos de pessoas que foram punidas porque cometeram crimes virtuais", avisou Sergio Suiama, integrante do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos do MPF de São Paulo. Segundo o procurador, o número de procedimentos abertos no MPF para investigar crimes cibernéticos aumentou 318% em 2008, em comparação com o ano anterior - em 2007, foram abertas 620 investigações, enquanto em 2008 foram 1.975 procedimentos.

Cerca de 75% dos crimes são relacionados à pornografia infantil. Outros dividem-se em ciberbullying (ofensas públicas a pessoas pela web) e crimes de ódio. Para conscientizar a população, a Safernet faz palestras paraprofessores de escolas públicas de todo o país. Uma pesquisa apontou que algumas crianças fornecem em salas de bate-papo dados como nome, endereço e telefone. "Essas são as armas que os aliciadores podem usar para chantagear e até sequestrar um garoto que queria apenas conhecer um amigo ", diz Saiarma.