Polícia localiza caminhonete usada por rede de pedófilos em Catanduva

18/02/2009
Fonte: 
http://oglobo.globo.com/pais/cidades/mat/2009/02/18/policia-localiza-caminhonete-usada-por-rede-de-pedofilos-em-catanduva-754476048.asp
Autor: 
Tatiana Farah, O Globo
Veículo de Imprensa: 
O Globo

A delegada Rosana Vanni, que cuida do novo inquérito de pedofilia em Catanduva, a 379 quilômetros da capital, localizou nesta tarde a caminhonete preta usada pelos pedófilos para assediar as crianças do Jardim Alpino, na periferia da cidade. O dono do automóvel prestou depoimento e foi fotografado pela polícia, para ser identificado pelas vítimas. Seu nome está sendo mantido em sigilo, assim como o dos demais suspeitos de participar de uma rede de pedofilia e pornografia infantil que pode ter feito mais de 30 vítimas em um dos bairros mais pobres da cidade. Um dos suspeitos é um jovem médico de classe alta. O médico mora em uma casa com piscina, para onde as crianças teriam sido levadas para ser abusadas, segundo seus próprios relatos e o de seus familiares. Os abusos teriam sido filmados e fotografados.

Os nomes apresentados pelas crianças, "Roberto", "Cesar" e "Henrique", podem não ser os nomes verdadeiros dos suspeitos. A delegada Rosana Vanni, que responde interinamente pela Delegacia da Mulher em Catanduva, espera concluir até o final da semana o trabalho de fotografar e tomar o depoimento dos suspeitos para, na próxima semana, voltar a ouvir as crianças do Alpino.

Foi a delegada que iniciou a abertura do caso, em 14 de dezembro, com a prisão do borracheiro José Barra Nova de Mello, de 46 anos. Vizinho das crianças do Jardim Alpino, Barra Nova, que era conhecido como "Zé do Pipa", fazia e vendia pipas e mantinha uma borracharia e bicicletaria ao lado de sua casa. Ele foi acusado por dezenas de famílias de assediar as crianças. Segundo a prefeitura, 15 meninos e meninas estão em tratamento médico (com psicólogos, ginecologistas e urologistas) por terem sido vítimas do borracheiro.

Na sexta-feira passada, o juiz Celso Maziteli Neto, da 1ª Vara Criminal, acolheu a denúncia do Ministério Público de atentado violento ao pudor supostamente cometido por Barra Nova, contra pelo menos 11 crianças, mas, diante das denúncias das famílias de que há muitas outras vítimas, o juiz ordenou que a polícia reabrisse o inquérito e apurasse se as famílias estão sendo vítimas de uma rede de pedofilia. Outro suspeito identificado é sobrinho de Barra Nova, William Mello, de 19 anos. Segundo a polícia, ele foi vítima do chamado "tribunal do tráfico", montado por uma facção criminosa paulista, que o teria condenado à morte e foi salvo por policiais, que descobriram o esquema criminoso em tempo, no mês passado, quando o rapaz, que não tinha antecedentes criminais, estava sendo torturado para confessar sua participação na rede de pedofilia.

As crianças contaram que William ajudava o tio nas filmagens e fotos e as amarrava para as cenas de sexo. Sua mãe, Vera, em conversa por telefone com GLOBO, na sexta-feira, disse que o filho era inocente. Ele ficou preso temporariamente por menos de 30 dias e está livre. Quando soube que William estava em liberdade, o menino G., de 10 anos, teve uma crise nervosa. Ele foi internado no hospital Padre Albino, depois de quebrar coisas em casa e embrenhar-se pelo mato, no meio da chuva, gritando que seria morto. Segundo o laudo médico, ele teve um surto de pânico.