Fonte:
http://oglobo.globo.com/sp/mat/2007/10/22/317910949.asp
SÃO PAULO - Continua internado em estado grave o adolescente G.W.F., de 17 anos, espancado por um grupo de punks na noite de sábado na Avenida Tiradentes, no centro. A polícia procura onze jovens ligados a gangues punks suspeitos da agressão. O confronto pode sido planejado nas páginas da internet. Nas comunidades de jovens na internet, são comuns as ameaças de morte, rixas entre gangues e incitação à violência. A polícia afirma que as brigas que começam virtualmente, muitas vezes acabam na rua. Na briga deste fim de semana, os envolvidos tinham saído de uma casa noturna freqüentada por punks. Eles encontraram com um grupo rival no caminho para o Metrô e houve a briga.
O rapaz foi agredido a 100 metros da sede da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). Boletim médico divulgado pelo Hospital Nossa Senhora de Lourdes , onde o rapaz está internado, informa que ele sofreu politraumatismo, inclusive na região da coluna cervical e no rosto. Ele não corre risco de morrer, embora estaja com o rosto desfigurado.
De acordo com informações da polícia, o adolescente estava acompanhado por três amigos, que conseguiram fugir. O bando de punks era formado por cerca de 20 pessoas que voltavam de um show no bairro do Bom Retiro. Segundo testemunhas, eles roubaram o tênis do adolescente, que acabou sendo agredido com socos e pontapés. Nove pessoas foram presas, entre eles uma mulher e dois adolescentes.
- Esse grupo de punks viu um rapaz que era skinhead, começou a apontar e a minha filha foi no embalo, achando que era tudo lindo e maravilhoso, e deu no que deu - disse Lurdes Longo, mãe de uma menor detida.
O grupo que o agrediu será indiciado por tentativa de homicídio e roubo. Os adolescentes serão transferidos para a Fundação Casa e os demais detidos para um Centro de Detenção Provisória. Inicialmente, a polícia acreditava ser apenas uma briga de grupos rivais.
Para especialistas, o visual é a única ligação desses jovens com o movimento punk. Aqui em São Paulo, eles passaram a adotar a violência como única forma de ação. Muitos que se envolveram em brigas, hoje fazem parte de um cadastro de pessoas violentas montado pela polícia. Uma delegacia ligada ao departamento de homicídios está encarregada de investigar casos que envolvam crimes de preconceito e brigas entre punks e integrantes de gangues.
É o segundo caso de agressão envolvendo punks em uma semana. Na madrugada de domingo passado, o balconista Jaílton de Souza Pacheco, de 24 anos, foi morto por causa de um pedaço de pizza, que custa R$ 1. Ele foi esfaqueado por três punks, entre eles, uma mulher, no Terminal Rodoviário Parque D.Pedro II.
Jaílton trabalhava na Pizzaria Expresso. Os punks queriam comprar a pizza por 60 centavos, mas como um outro funcionário não quis vender a fatia por esse valor, o grupo começou a agredir verbalmente todos que estavam no quiosque.
Em seguida, os outros dois punks começaram a agredir todos que estavam em volta da pizzaria. O balconista Jaílton, que já havia encerrado o expediente, teria tentando separar a briga, mas recebeu três facadas de um dos punks.
A vítima, casado e pai de um bebê de apenas seis meses, foi levado ainda com vida para o Pronto Socorro do Hospital Municipal Vergueiro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Os punks mataram o garçon e foram dormir.
Levada ao 1º Distrito Policial, Simone Ramos de Almeida, de 22 anos, confessou que participou do crime e identificou os outros dois punks. Quatro horas depois, a polícia já havia conseguido prender José Augusto Reis dos Santos, 18, e Willian de Oliveira Vicente, 19. Esse último teria esfaqueado a vítima. Os dois punks foram presos quando estavam no Itaim Paulista, zona leste. Os três vão responder processo por homicídio qualificado.
Em junho, um grupo de oito pessoas atacou a facadas duas pessoas num bar nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. O garçom John Clayton Moreira, de 19 anos, levou um golpe no peito, foi socorrido no pronto-socorro do Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Um amigo dele, identificado com Rafael, também ficou ferido. ´
A polícia diz que o grupo é de classe média e usava roupas pretas e coturnos, como os punks.
Também em junho, após a Parada Gay,
o turista francês Gregor Erwan Landouar, de 35 anos, foi morto a facadas após sair de um bar nos Jardins, região nobre da capital paulista. O crime aconteceu a poucos metros do Bar Ritz, na Alameda Franca, onde o estrangeiro conversou com três brasileiros que conheceu no local - um estitilista, um ator e um professor. O local é freqüentado pelo público gay. Ele foi atacado por um bando vestido com roupas de skastistas.