Polícia de Catanduva ouve empresário e médico sobre suposta rede de pedofilia

19/02/2009
Fonte: 
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1009648-5605,00-POLICIA+DE+CATANDUVA+OUVE+EMPRESARIO+E+MEDICO+SOBRE+SUPOSTA+REDE+DE+PEDOFIL.html
Autor: 
Roney Domingos, do G1, em São Paulo
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Responsável pela investigação de uma suposta rede de pedofilia em Catanduva, no interior de São Paulo, a delegada Rosana da Silva Vanni disse ao G1 que averigua a participação de cinco pessoas nos crimes. Dois homens foram chamados à delegacia, ouvidos e fotografados. Entre eles, há um empresário, um médico e o filho de um deles, jovem de classe média alta da cidade.

A investigação sobre os crimes começou com a prisão de um homem de 47 anos e de seu sobrinho, de 19 anos, suspeitos de pedofilia e atentado violento ao pudor.O primeiro continua preso no Centro de Detenção Provisória de São José do Rio Preto. O segundo foi solto na sexta-feira após expirar sua prisão temporária. Os dois homens e mais três pessoas são alvo de uma ação que tramita desde terça-feira na 1ª Vara Criminal de Catanduva. O processo contém uma relação de dez vítimas, todas com idades entre cinco a dez anos.

A partir da prisão do homem de 47 anos e seu sobrinho, as denúncias sobre uma suposta rede de pedofilia na cidade se avolumaram. Após ouvir mães de supostas vítimas, que relataram a abordagem até violenta das crianças e exploração sexual em uma casa de bairro nobre na cidade, a Justiça determinou à Polícia Civil a abertura de um novo inquérito, instaurado na terça-feira o que está agora sob cuidados da delegada Rosana.

A juíza da Infância e Juventude de Catanduva, Sueli Juarez Alonso afirma que a rede pode ter atingido mais de 50 vítimas. "Até o momento não há indícios. Temos ouvido comentários de que houve participação desses rapazes na condução de crianças até uma determinada casa", disse a delegada. A polícia vai apresentar fotos dos suspeitos às vítimas. "Estamos determinando quem fazia o que. Estou tirando fotografias de todas as pessoas para que as crianças possam identificar o que cada um deles fazia e se faziam alguma coisa.

"De acordo com a delegada, os dois homens ouvidos até agora negaram qualquer participação em crimes contra crianças. Um deles afirmou que apenas conhece um dos suspeitos. Também foi ouvido o proprietário de uma camionete preta que, segundo testemunhas, teria sido usada no transporte de crianças até uma casa de luxo onde haveria exploração sexual dos menores. "O dono da camionete disse que nunca se envolveu com criança nenhuma. O motorista dele também negou e ambos foram fotografados", disse a delegada. De acordo com a delegada, o proprietário da casa e o filho dele serão ouvidos nos próximos dias.

A policial afirma que ficou espantada ao ouvir comentários de que jovens de classe média estejam envovidos nos crimes junto a suspeitos de origem humilde. "Para mim foi uma surpresa saber que rapazes de classe média estariam envolvidos com esse tipo de gente". A delegada disse que vai pedir exames médicos e psicológicos de cerca de 12 a 15 crianças que uma ONG da cidade relacionou como vítimas.