Pais usam máscaras para depor à CPI da Pedofilia em Catanduva

18/03/2009
Fonte: 
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1048125-5605,00-PAIS+USAM+MASCARAS+PARA+DEPOR+A+CPI+DA+PEDOFILIA+EM+CATANDUVA.html
Autor: 
G1
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Eles denunciaram omissão de autoridades públicas da cidade. CPI vai ouvir acusados nesta quarta-feira.

Com máscaras pretas sobre os rostos e protegidos por jaquetas da Polícia Militar, o pai e mãe de crianças que sofreram abusos sexuais em Catanduva, no interior de São Paulo, relataram à CPI da Pedofilia que não foram atendidos pela Polícia Civil de Catanduva e pelo Conselho Tutelar da cidade quando procuraram as autoridades para fazer denúncias. "Fui à Delegacia da Mulher e por incrível que pareça fui muito mal recebida. A delegada disse que é normal", afirmou a mãe das crianças.

O depoimento da mãe provocou emoção entre cerca de 120 pessoas que acompanharam o relato. Até mesmo o senador Romeu Tuma, ex-policial federal, ficou com a voz embargada ao se dirigir à mãe.

 

 

A mãe afirmou que a filha de oito anos foi violentada dentro de sua própria casa, em um bairro pobre da periferia, e levada de carro a pelo menos quatro casas de bairros ricos da cidade. 'Eu trabalho o dia todo e meu marido também. Eles ligavam para casa para saber de tinha algum adulto e depois iam buscá-la", disse a mulher.

A mãe conta que após as sessões de abuso, as crianças relataram experiências com drogas - cocaína, crack e maconha. A mãe conta que uma menina contraiu doenças sexualmente transmissíveis. Ainda de acordo com a mãe, as crianças tinham medo de denunciar os criminosos, que diziam ser possível localizá-las pelo GPS do carro e ouvir o que contam aos pais. As crianças apontaram outras seis que sofreram abusos sexuais. 

 

O dirigente da ONG Instituto Pró-Cidadania, Geraldo Corrêa, afirmou aos senadores, em depoimento gravado pela CPI, que ele e o diretor de uma escola fizeram denúncias sobre abuso sexual de crianças ao Ministério Público de Catanduva, mas o promotor não os atendeu. A CPI pediu providências à Corregedoria do MP. Geraldo Corrêa pediu proteção policial e os senadores prometeram atendê-lo.

 

O diretor de uma escola municipal frequentada por parte das vítimas  reforçou a argumentação. De acordo com ele, houve dificuldade em mobilizar a atenção da Polícia Civil e do Ministério Público para as denúncias.