Ao pesquisar a vida dos pais dos internautas, o Ministério Público e a SaferNet descobriram que eles têm hábitos opostos aos dos filhos quando ficam à frente do computador. Enquanto crianças e adolescentes preferem sites de relacionamento e salas de bate-papo, os adultos preferem outro tipo de navegação. As atividades mais comuns entre os pais são receber e enviar e-mails e ler notícias, citadas por 46% e 45% dos entrevistados, respectivamente. Apenas 30% dizem freqüentar sites de relacionamentos, enquanto 80% dos filhos criaram um perfil nesse tipo de página.
Os mais velhos também não são muito chegados a amizades virtuais. A pesquisa apontou que apenas 30% deles mantêm esse tipo de vínculo. Entre as crianças e adolescentes, esse percentual chega a 79%. “Muitos pais não sabem o que os filhos fazem na internet porque não sabem navegar na rede. O ideal seria que eles fossem humildes e pedissem para que os filhos os ensinassem. É um ótimo argumento para verificar o que o filho anda fazendo na internet”, aconselha a procuradora federal Adriana Scordamaglia.
A pesquisa revela que os pais têm uma idéia equivocada a respeito do interesse de seus filhos. Enquanto 36% disseram acreditar que os filhos não têm nenhum amigo virtual. Além disso, 24% dos pais entrevistados informaram não saber se os filhos têm ou não amigos cibernéticos.
Sem limites
Foram constatadas também atitudes contraditórias. Enquanto 56% dos pais disseram que a prole fica tempo demais conectada, 63% admitiram que nunca impuseram limites. “Esse dado é preocupante. O ideal é que não se passe mais de duas horas conectado, mas esse tempo deve variar com a condição socioeconômica do internauta”, ressalta o psicólogo Rodrigo Nejm, da SaferNet.
Outro dado do estudo interessante mostra que 42% dos pais e 40% das crianças e adolescentes já fizeram ao menos uma denúncia de crime na internet. Nesse quesito, os pais têm se mostrado interessados em obter mais informações sobre prevenção a crimes cibernéticos. De acordo com o levantamento, 79% deles se disseram dispostos a receber dicas de prevenção ou orientação. Outros 65% se prontificaram a colaborar com ações que devem ser adotadas para evitar esses crimes.(UC)