O Orkut tem feito aumentar crimes

13/03/2006
Fonte: 
Jornal Bom Dia
Autor: 
Bruno Gilliard
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

A superexposição de informações pessoais ao público por meio do Orkut (comunidade virtual de relacionamentos) tem se tornado um prato cheio nas mãos de estelionatários. Somente no 1º Distrito Policial de Rio Preto, as ocorrências de estelionato praticado a partir de informações obtidas pela internet cresceram 30% nos últimos seis meses.

O delegado Genival Ribeiro Santos diz que a partir do nome, do número do telefone, endereço e número de documentos, os criminosos conseguem clonar cartões, desviar dinheiro de contas-correntes e fazer compras usando nomes de usuários da internet. Outra prática que se tornou comum, principalmente na região de Jundiaí, é a extorsão.

O criminoso busca informações pessoais de um usuário do Orkut e depois faz ameaças por telefone, e-mail ou pessoalmente. Para acabar com as ameaças, os criminosos exigem dinheiro. Segundo o delegado Paulo Sérgio Martins, que acumula os comandos da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e da Dise (Delegações de Investigações Sobre Entorpecente) de Jundiaí, os casos de extorsão cresceram 200% em um ano.

O especialista em segurança virtual Paulo Fogolin Calori afirma que o Orkut perdeu a inocência e que os usuários devem evitar ao máximo a divulgação de informações pessoais. “A internet é uma faca de dois gumes. Nunca se sabe quem está do outro lado da tela.”

Segundo o técnico de informática Tiago Augusto Cândido, quanto mais anônimo for o usuário do Orkut, mais seguro ele estará. “Muitas informações podem ser preservadas. Por exemplo, o nome completo, e-mail e, principalmente, telefone, endereço e números de documentos pessoais.”

Espaço para apologia

Criada pelo turco Orkut Buyukkokten com o objetivo de integrar as pessoas, o Orkut se tornou um espaço para grupos promoverem apologia a crimes. Rio Preto, por exemplo, possui comunidades de praticantes de rachas automobilísticos, que usam o espaço virtual para agendar os “pegas” nas ruas.

Tem também grupos de mulheres que se prostituem e usam o espaço do Orkut para divulgar fotos, telefones e locais onde são realizados os encontros. A ação de traficantes também invadiu as comunidades do Orkut. No site, os traficantes fazem propagandas e ofertas com entrega à domicílio para todo país, promovem debates para discutir os efeitos dos entorpecentes e convocam usuários à entrarem no mundo do tráfico.

Na capital do Estado existe um grupo especial da Polícial Civil especializado no crime virtual. No segundo semestre do ano passado, um vendedor foi preso sob acusação de fazer apologia ao nazismo. Na casa do acusado, a polícia encontrou e apreendeu livros, filmes, medalhas, selos, carteiras de trabalho alemãs, suásticas e CDs sobre nazismo.

Empresa presta esclarecimento

O diretor da Google no Brasil, Alexandre Hohagen, foi intimado pelo Ministério Público Federal de São Paulo a prestar esclarecimentos sobre crimes no Orkut. Ele foi chamado após a SaferNet, organização contra crimes de direitos humanos na web, entrar com representação no Ministério Público Federal.

A organização produziu um dossiê, com 150 páginas, que conta com materiais relacionados a pornografia infantil, crimes raciais, venda de drogas, entre outros. O representante do Google no Brasil explicou aos promotores que o Orkut fica hospedado nos Estados Unidos e que a divisão brasileira apenas faz negócios.

De acordo com Thiago de Oliveira, da SaferNet no Brasil, foram encontradas cinco mil pessoas que praticavam crimes virtuais. O material do dossiê foi colhido entre a segunda quinzena de dezembro de 2005 e o final de janeiro de 2006.