Mais de mil perfis de Twitter foram apresentados ao Ministério Público Federal em São Paulo pela organização SaferNet, que trata dos direitos humanos na Internet, com a alegação de que esses usuários cometeram crimes como racismo, apologia a crimes contra a vida e mensagens predatórias. Os alvos eram os nordestinos.
Nos dias que se seguiram à eleição de Dilma Rousseff (PT) para a Presidência da República, no último dia 31 de outubro, uma onda de mensagens contra os residentes da região Nordeste do país se disseminaram pelas redes sociais.
Ganhou notoriedade a publicação da estudante Mayara Petruso, 21 anos, que publicou no Twitter um pedido: que matassem os nordestinos afogados.
De acordo com Thiago Tavares, mais de 10 mil denúncias foram recebidas pela sua entidade na ocasião. “Somente contra a estudante Mayara foram 800 denúncias”, contou.
Filtradas as duplicidades de publicações, sobraram 1.037 perfis, que foram levados a conhecimento do Ministério Público.
Tavares diz que os tuiteiros podem ser condenados por diversos tipos de crime. “Podem ser enquadrados por crime de racismo, com pena de dois a cinco anos e multa, mas o Ministério Público também pode instaurar o procedimento de injúria racial, que tem uma pena mais branda. Ainda é possível alegar apologia ao contra, com pena de até seis meses de reclusão”, conta.
O Ministério Público informa que espera um laudo de sua área técnica para fazer comentários sobre o assunto. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, isso pode ocorrer até o fim desta semana.
E agora
ENTENDA A NOTÍCIA
O Ministério Público Federal em São Paulo irá analisar a denúncia feita pela ONG. A depender das conclusões, poderá entrar com ação na Justiça contra os envolvidos, por crime de injúria racial, apologia ao contra ou racismo.