ONG acusa mais de mil perfis por preconceito no Twitter

09/11/2010
Fonte: 
http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2010/11/09/noticiapoliticajornal,2061845/ong-acusa-mais-de-mil-perfis-por-preconceito-no-twitter.shtml
Autor: 
Redação
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Mais de mil perfis de Twitter foram apresentados ao Ministério Público Federal em São Paulo pela organização SaferNet, que trata dos direitos humanos na Internet, com a alegação de que esses usuários cometeram crimes como racismo, apologia a crimes contra a vida e mensagens predatórias. Os alvos eram os nordestinos.

Nos dias que se seguiram à eleição de Dilma Rousseff (PT) para a Presidência da República, no último dia 31 de outubro, uma onda de mensagens contra os residentes da região Nordeste do país se disseminaram pelas redes sociais.

Ganhou notoriedade a publicação da estudante Mayara Petruso, 21 anos, que publicou no Twitter um pedido: que matassem os nordestinos afogados.

De acordo com Thiago Tavares, mais de 10 mil denúncias foram recebidas pela sua entidade na ocasião. “Somente contra a estudante Mayara foram 800 denúncias”, contou.

Filtradas as duplicidades de publicações, sobraram 1.037 perfis, que foram levados a conhecimento do Ministério Público.

Tavares diz que os tuiteiros podem ser condenados por diversos tipos de crime. “Podem ser enquadrados por crime de racismo, com pena de dois a cinco anos e multa, mas o Ministério Público também pode instaurar o procedimento de injúria racial, que tem uma pena mais branda. Ainda é possível alegar apologia ao contra, com pena de até seis meses de reclusão”, conta.

O Ministério Público informa que espera um laudo de sua área técnica para fazer comentários sobre o assunto. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, isso pode ocorrer até o fim desta semana.

E agora

ENTENDA A NOTÍCIA
O Ministério Público Federal em São Paulo irá analisar a denúncia feita pela ONG. A depender das conclusões, poderá entrar com ação na Justiça contra os envolvidos, por crime de injúria racial, apologia ao contra ou racismo.