O número denúncias de pedofilia na internet aumentou 273% em Goiás nos cinco primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2008. Os dados são do Ministério Público Federal (MPF). De acordo com o órgão, foram 122 ocorrências registradas entre janeiro e maio daquele ano contra 456 registros em 2009. Apesar do aumento das ocorrências, apenas 2,58% das denúncias tratam mesmo de conteúdo criminoso.
A explicação para o aumento, segundo o presidente da Safernet Brasil, empresa responsável pela Central Nacional de Denúncia de Crimes Cibernéticos, Thiago Tavares Nunes de Oliveira, são duas vertentes. A primeira delas é o maior conhecimento sobre as denúncias. “Está havendo uma conscientização da sociedade, que está cada vez mais intolerante com esse tipo de crime e sabe a quem recorrer. Então as pessoas estão denunciando mais”. Outro ponto citado por ele é um acordo com um site de relacionamento. “Foi feito um acordo com o Google em julho que permitiu que os casos envolvendo o Orkut fossem investigados”. A importância do acordo se deve à incidência dos crimes na rede de relacionamento. Os dados do MPF apontam que 72% das ocorrências registradas tiveram como ambiente virtual o Orkut.
O promotor Everaldo Sebastião de Sousa, coordenador do Centro de Apoio à Infância do Ministério Público Estadual (MP - GO), acompanha a ideia de Thiago e aponta a conscientização como motivo do aumento das denúncias, que é notada também na instituição estadual. Além desse fator, ele cita o crescimento ao acesso à internet como motivo de mais queixas. “O aumento de casos está ligado ao fato de as pessoas terem cada vez mais acesso à internet”. Apesar de não citar números, o promotor diz que as denúncias no MP estadual também estão crescendo consideravelmente. Ele comenta que cerca de 10% a 15% das denúncias, não só de pedofilia, mas de todos os crimes sexuais, são esclarecidas e os acusados, apontados.
Já a responsável pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Adriana Accorsi, diz que o aumento das denúncias em sua delegacia é de aproximadamente 20% e que atualmente cerca de 20 casos estão sendo investigados. Ela comenta que a maioria dos casos é de pessoas que se passam por criança ou adolescente para atrair a vítima e depois inicia um relacionamento virtual, mostrando seus órgãos sexuais pela webcam, e em alguns casos chegando a marcar encontros físicos.
A delegada ressalta ainda que os crimes de pedofilia virtual são diferentes dos praticados em países desenvolvidos. “É uma questão de tempo, mas lá as pessoas que abusam colocam as imagens na internet. Aqui as pessoas baixam as imagens e aliciam os menores, marcando encontro e trocando imagens pela webcam”.
Nova ferramenta
Além do acordo com a Google, um termo de cooperação assinado ontem em Brasília deverá fechar ainda mais o cerco contra os pedófilos. O termo foi assinado entre a Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e de Serviços (Abecs), a Safernet Brasil e órgãos públicos como o MP e o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais. O objetivo é que as empresas de cartão de crédito repassem informações às autoridades policiais para que ajudem na identificação de quem está comercializando ou comprando conteúdos de pedofilia.
De acordo com Thiago, com a assinatura do termo, o Brasil entra em um seletivo time no combate à pedofilia. “Apenas a Europa e os Estados Unidos tinham instrumentos efetivos de rastreamento de fluxo financeiro.” Com a assinatura, comenta Thiago, agora poderá se trabalhar em três frentes para solucionar compra de produtos de pedofilia pela internet. A primeira delas é o rastreamento das empresas que vendem os produtos. Hoje, mais de 2.500 sites foram catalogados pela Safer que compram ou vendem produtos de pedofilia.
A segunda frente é cruzar esses dados com as denúncias e descredenciar o estabelecimento, o proibindo de realizar transações com cartões de crédito. A última frente seria uma campanha de conscientização.
FIQUE POR DENTRO
Para tentar conscientizar público de todas as idades sobre o perigo da internet e a importância de se utilizar a rede mundial de computadores de forma sadia, a Safer criou uma cartilha sobre o uso da internet, que pode ser baixada na página www.safernet.org, e cita várias situações como cuidados com msn, rede de relacionamentos e bate-papo. Veja algumas dicas sobre salas de bate-papo:
– Não exiba seu nome completo, telefones, endereço, nem lugares que frequenta;
– Jamais encontre “amigos virtuais” sem autorização de um adulto;
– Tempo de conversa não garante a confiança nem a veracidade das informações, tome cuidado;
– Dialogue e busque sempre dicas para garantir sua segurança;
– Caso receba mensagens ou imagens agressivas que tentem forçar uma conversa, bloqueie o usuário, denuncie e peça ajuda;
– Em caso de visualizar conteúdos suspeitos de violarem os Direitos Humanos, denuncie em www.denuncie.org.br
– Se não tiver alguém para tirar suas dúvidas, envie e-mail para prevencao@safernet.org.br