Fonte:
http://www.cosmo.com.br/brasilemundo/integra.asp?id=175779
Em contraste ao clima de ressentimento em relação ao comportamento supostamente parcial da mídia durante a campanha eleitoral que incluiu até o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, lançou mão da biografia do presidente Lula para defender a liberdade de imprensa.
"O presidente é um produto, um fruto da liberdade de imprensa", disse o ministro após uma cerimônia na 3ª Conferência Internacional sobre Perícia em Crimes Cibernéticos, organizada pela Polícia Federal, ontem.
"Acredito que este é um tema fundamental, tem um valor da mais alta hierarquia para nós. Está na Constituição e na consciência dos povos civilizados", declarou Bastos.
Na última semana, após a vitória de Lula, vários episódios de hostilidade a jornalistas por parte de petistas foram registrados. Na festa da reeleição do presidente, por exemplo, faixas na Avenida Paulista diziam: "O povo venceu a mídia".
Em Brasília, duas centenas de petistas empurraram e xingaram jornalistas. E Marco Aurélio Garcia, um dos mais próximos assessores de Lula, chegou a declarar que a imprensa deveria fazer "uma auto-reflexão" sobre as eleições, em uma sugestão de que jornais e jornalistas têm uma parte da responsabilidade pelas agressões.
Ao comentar um projeto de lei que prevê o controle do acesso à Internet, em discussão no Senado, Bastos reiterou: "Qualquer tentativa de coibir a liberdade de expressão deve ser liminarmente afastada. Como dizia aquele juiz da Suprema Corte americana, a Constituição não quer que a imprensa seja justa. A constituição quer que a imprensa seja livre".
Bastos comentava um trecho do projeto que exige a identificação de qualquer usuário que acesse a internet, tornando possível o monitoramento preciso das navegações na rede e eliminando a privacidade dos internautas. "Acredito que o projeto tem problemas", disse o ministro.