Estudo mostra elas como alvo Na internet, as adolescentes podem encontrar pessoas que as colocam em perigo real
O convite de um desconhecido numa sala de bate-papo, o recebimento de mensagens com ofensas ou obscenidades. Os crimes cibernéticos estão cada vez mais comuns no País. Mas o que fazer e onde procurar ajuda em casos de crimes virtuais? Um levantamento feito pela CCP Brasil (Parceria para a Proteção da Criança e do Adolescente) revela que 8 em cada 10 meninas com idades entre 15 e 17 anos não se sentem seguras on-line e só um terço delas sabe o que fazer em situação de perigo.
Os dados do estudo revelam ainda que 60% das meninas afirmaram conhecer os perigos on-line e 50% delas gostariam de encontrar pessoalmente alguém que tenham conhecido na internet. Segundo Luiz Rossi, gestor nacional do CPP, o estudo é um retrato de como as Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs) estão sendo usadas pelas jovens. “Os adolescentes são seres virtuais e a internet tem vários aspectos positivos que atraem a atenção deles. Mas falta orientação, principalmente por parte dos pais, para evitar os crimes e transtornos que podem ser causados pelo mau uso”, diz.
Os resultados do mapeamento brasileiro farão parte de um relatório mundial a ser lançado ainda este ano pela campanha Internacional “Because I am a Girl” (porque sou uma menina). Segundo Rossi, as maiores vítimas desse tipo de crime são as garotas, por isso a pesquisa foi focada nesse público. “Os rapazes também são assediados, mas as meninas são mais vulneráveis. É muito mais comum a pornografia e os assédios estarem relacionados ao sexo feminino”, afirma.
Dados da Safernet Brasil, uma das referências nacionais no combate e enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na Internet, apontam que o crime cibernético mais comum está ligado à pornografia infantil. Em agosto, a entidade recebeu 2.222 denúncias dessa modalidade de crime. Já o total de crimes cibernéticos registrado no mesmo mês foi de 4.626, incluindo racismo, homofobia e xenofobia, entre outros.
Para Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da Safernet, grande parte desses tipos de crimes poderia ser evitada se a exposição dos adolescentes na rede fosse menor. “Os jovens, principalmente as meninas, confiam demais em amigos virtuais, quando na verdade se tratam de aliciadores sexuais. Após alguns contatos e conseguirem dados sobre a vítima, esses aliciadores passam a fazer chantagem, forçando encontros sexuais por webcam ou fora da rede”, explica. “Mas é preciso lembrar que a internet não é perigosa. O que é perigoso é o mau uso e a falta de informação”, diz.
Já a estudante Isabela Naves de Moura, 16, bloqueia as fotos e só se relaciona com os amigos que conhece pessoalmente. “Apesar de eu usar a internet com segurança, sei que não estou livre dos perigos, porque a internet não é um espaço totalmente seguro. Se por acaso achar que corro perigo, a minha primeira reação seria informar os meus pais”, diz. Para proteger a filha, Sílvia Helena de Moura procura cercá-la de informações. “Todas as reportagens que vejo coloco à disposição dela e insisto para que leia. Acredito que assim consigo torná-la consciente dos perigos que rondam a internet”, diz.
Casos são cada vez mais comuns
De acordo com Luiz Rossi, gestor nacional do CPP, a falta de domínio dos adultos sobre a internet e o desconhecimento sobre o uso que o adolescente faz dela, somados à falta de orientação dos jovens, contribuem para a sensação de insegurança. “O que a gente percebe é que falta o diálogo. Os adultos têm que procurar conhecer mais sobre esse mundo para poder conversar mais com os jovens e saber como orientá-los”, diz. Para alertar os pais sobre os riscos, o Colégio Notre Dame, de Campinas, realizou este mês uma palestra sobre segurança na internet. “Está havendo muitos casos de cyberbulling (a prática realizada através da internet que busca humilhar e ridicularizar alunos, pessoas desconhecidas e também professores perante a sociedade virtual), entre os adolescentes, além de outros crimes por internet. O intuito da palestra foi o de incentivar os pais a terem mais conhecimento sobre o manejo dessa ferramenta para saber orientar os filhos”, afirma Denise Peres, vice-presidente da Associação de Pais e Mestres (APM) da instituição. Os crimes cibernéticos podem ser denunciados à Polícia Federal pelo site denuncia.ddh@dpf.gov.br; à Delegacia de Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos, pelo telefone (11) 2221-7030, ou ainda no site do Safernet: www.denunciar.org.br. (AAN)