Jovens se tornam alvo fácil na web

09/10/2008
Fonte: 
Estado de Minas
Autor: 
Luciane Evans e Glória Tupinambás
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Minas Gerais - As mãos pequenas e curiosas sobre o mouse. Os olhos vidrados nas imagens e desenhos que apareciam na tela do computador. A cada clique, uma descoberta. G.M, aos 6 anos, conheceu, ao lado da mãe, as facilidades e encantos do mundo virtual. Um deles, permitiu a conversa com pessoas que não conhecia. Um chat infantil para crianças da mesma faixa etária. Mas o fascínio da menina acabou quando um convite indecente foi enviado por alguém, que dizia ter a mesma idade: "Vamos transar?"

A inocência ultrajada é realidade para 53% das crianças e adolescentes que, segundo pesquisa inédita, tiveram contato com conteúdos agressivos na internet. Os dados, divulgados ontem pelo Ministério Público Federal (MPF), fazem parte de um levantamento da organização não-governamental (ONG) SaferNet Brasil para identificar as vítimas de agressões de pedofilia e pornografia infantil.

87% dos jovens não têm restrições ao navegar na rede

Enquanto, a cada dia, novos conteúdos são colocados na internet, maior é a disponibilidade e falta de segurança que o meio virtual causa aos internautas menores de idade. De acordo com o estudo da SaferNet Brasil, que ouviu 1,4 mil usuários, 64% dos jovens navegam pela web no próprio quarto, contrariando uma das dicas de prevenção que orienta a manter o computador em uma área comum da casa. A pesquisa revela que 87% dos adolescentes afirmam não ter restrições para o uso. Mas o dado mais preocupante nesse diagnóstico é que 53% dos menores de 18 anos tiveram contato com informações agressivas e sites impróprios para a idade.

"A minha sorte é que estava ao lado da minha filha. Como ela tinha apenas 6 anos na época, não entendeu muito bem o que aquela pergunta indecente queria dizer. E me perguntou o que era transar. Imediatamente mandei um e-mail para o responsável pela página e ele nos comunicou que iria rastrear o usuário", conta a mãe de G.M, a empresária J.M.

Depois do ocorrido, ela confessa que não teve mais sossego. "Procurei um técnico em informática e pedi que colocasse um programa que me permitia acompanhar a navegação dela pela internet", diz. Hoje, a menina está com 11 anos e, mesmo assim, a mãe a monitora todos os dias. "Existe muita gente ruim nesse mundo cibernético, e já que ela está na pré-adolescência, o meu maior medo são os namoros e conversas por mensagens instantâneas".