Interpol pede ajuda da América Latina para combater pedofilia

22/09/2006
Fonte: 
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Autor: 
Agência EFE
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

A Interpol quer mais ajuda dos países latino-americanos no combate à pedofilia na internet, pois conta com poucos agentes nestes países, informaram hoje fontes da organização internacional.

O chefe da Divisão sobre Tráfico de Seres Humanos e Pedofilia da Interpol, Hamish McCulloch, afirmou hoje que, além de um maior intercâmbio de informação com os países latino-americanos, a organização espera poder contar com especialistas destas nações em sua central, em Lyon (França), que ajudem a identificar vítimas e autores desses delitos.

A maior cooperação com a América Latina foi abordada durante a 75ª Assembléia Geral da Organização Internacional Interpol, que começou na terça-feira, no Rio de Janeiro.

Segundo McCulloch, uma das resoluções propostas prevê um maior intercâmbio de informações policiais sobre a exploração de menores e a divulgação de imagens de pedofilia na internet.

"Trocando informações sobre pedófilos e vítimas poderemos identificar, por exemplo, abusadores que viajam para outros países para fazer turismo sexual", afirmou.

Anders Persson, agente de inteligência da Divisão, assegurou que a Interpol possui um banco de dados com cerca de 500 mil imagens de menores divulgadas por pedófilos na internet.

Segundo Persson, o trabalho de Interpol é identificar não apenas as pessoas que divulgam essas imagens, mas também as vítimas.

Ele acrescentou que a Interpol conta com cerca de vinte agentes para realizar esse tipo de trabalho, nenhum dos quais procede de um país latino-americano.

"É importante ter pessoas de diferentes culturas, de diferentes países e de diferentes idiomas que nos ajudem a identificar todos os menores que aparecem nessas imagens", disse.

Segundo Parsons, alguns detalhes só podem ser decifrados por agentes dos países onde vivem as vítimas.

"Em nossa unidade não temos pessoas que falem espanhol ou português", disse. Isso ocorrer porque alguns países carecem de recursos ou pessoal para enviar agentes a Lyon.

"Já trabalhamos em conjunto com todos os países da região, mas queremos aumentar um pouco mais essa colaboração", afirmou.

O chefe da Divisão esclareceu que o interesse por contar com mais agentes latino-americanos não significa que as vítimas de pedofilia na internet procedam em sua maioria da América Latina.

"Não temos um perfil das vítimas. Qualquer menor pode ser vítima, rico ou pobre. Mas os que vivem em países pobres são mais freqüentemente vítimas de abusos sexuais", disse.

"As pessoas que praticam o turismo sexual buscam as vítimas mais vulneráveis, e por isso viajam para países com maior número de menores em situação de vulnerabilidade", acrescentou.

McCulloch citou o Brasil como um grande destino turístico de pedófilos, apesar de possuir uma legislação muito severa contra este delito e trabalhar há anos em campanhas de prevenção e combate a este crime.

Os dois agentes da Interpol consideraram impossível fazer um perfil dos abusadores e dos países que procedem.

"Não temos um perfil definido. É difícil saber quem sente atração por crianças. Essa é uma das grandes dificuldades que enfrentamos e a internet ajudou essas pessoas a atuar de forma mais anônima", disse McCulloch.

A 75ª Assembléia Geral da Interpol, da qual participam cerca de 700 delegados de 152 países, ocorre até amanhã, no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.