Um alerta aos pais que postam vídeos de seus filhos na internet para que parentes e amigos, mesmo à distância, possam acompanhar o desenvolvimento deles: pedófilos e abusadores se aproveitam dessa situação para aumentar o seu acervo pessoal de imagens. A organização não-governamental (ONG) SaferNet Brasil detectou o problema e afirma que por dia recebe em média 350 denúncias contra páginas da web. Cerca de 60% desse total tem suposto conteúdo pornográfico infantil.
O diretor da SaferNet Brasil, Thiago Tavares, faz um alerta aos pais que expõem os filhos. “Eles têm de ter consciência de que todos os dias 1,6 bilhão de pessoas no mundo acessam a rede e é preciso lembrar que a internet é um espaço público”, ressalta. Outro ponto lembrado por Tiago é o caso em que os próprios adolescentes colocam seus vídeos na internet e acabam alimentando ainda mais a rede de pedofilia. Vídeos de crianças brincando na areia da praia, cenas de uma festa ou imagens de meninas dançando no quintal servem não apenas para atender a fantasias de pedófilos, mas para abastecer um mercado paralelo de imagens pornográficas.
Há aproveitadores que fazem coletâneas com vídeos caseiros de crianças e adolescentes e depois vendem para pedófilos na própria rede, disse Tavares. No principal site de compartilhamento de vídeos, há dezenas de arquivos com crianças e adolescentes que deveriam ser compartilhados apenas com pessoas próximas, mas são vistos por pedófilos. Nesse site, por exemplo, um vídeo no qual três meninas brincam e dançam numa praia foi exibido 55 mil vezes, em dois anos, número que extrapolaria o acesso de parentes e amigos. A simples remoção do vídeo, muitas vezes, não resolve o problema, pois os pedófilos copiam o arquivo e voltam a postá-lo usando uma conta falsa de e-mail. O diretor da SaferNet Brasil diz que já foram conseguidas algumas vitórias na Justiça brasileira contra pedófilos que agem na rede. “Há três anos, conseguimos que provedores estrangeiros, que são os mais utilizados, se adequassem às leis brasileiras e eles são obrigados a manter o material, mesmo que retirado pelo autor, por um determinado tempo”, diz.
Entre janeiro de 2006 a junho de 2009, a ONG denunciou cerca de 300 mil páginas da internet. Conseguiu que a Justiça determinasse a retirada de 200 mil imagens.