Guia Serasa: Navegue com segurança na Internet

19/10/2007
Fonte: 
http://www.serasa.com.br/guiaeducacao/91.htm
Autor: 
Serasa
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

A Internet trouxe para os pais mais uma preocupação: a segurança dos fi lhos no mundo virtual. Este universo de possibilidades, músicas, cores, sons, informações também é a porta de entrada de criminosos. “O crime mais comum é a pornografi a infantil, ou seja, a divulgação de imagens, em sua maioria relacionada a sexo explícito e abuso, principalmente, de crianças pequenas”, explica o advogado Thiago Tavares Nunes de Oliveira, presidente da ONG SaferNet Brasil, entidade que combate os crimes pela Internet. Desde janeiro de 2006, quando foi criada, a entidade já recebeu 55 mil denúncias, 46 mil delas referentes a páginas no site de relacionamentos Orkut.

Segundo ele, os criminosos aliciam crianças e adolescentes em sites de bate-papo, pelo MSN ou pelo Orkut. “Na primeira abordagem, o adulto se passa por uma criança, fala de assuntos do universo dela, como desenhos animados, videogames, etc.”, afi rma. Após ganhar a confiança da vítima, diz Oliveira, ele convida-a para uma conversa reservada, geralmente com webcam. “O criminoso convence a criança ou o adolescente a tirar a blusa, mostrar partes do corpo. Depois, grava o vídeo, passa a chantagear a vítima, dizendo que vai mostrar as imagens para pais e colegas. E ele ainda troca imagens com outros pedófi los na rede”, afi rma o advogado.

Diante disso, a principal orientação que Oliveira dá aos pais é instalar o computador em uma área comum da casa, como a sala. “Assim, é mais difícil que o jovem se exponha na webcam e os pais têm mais possibilidade de controlar o que a criança está fazendo.”

No Orkut, os criminosos também criam perfi s para veiculação de pornografia infantil - já são 18 mil perfi s denunciados no País. Os pedófilos se reúnem em comunidades para trocar fotos e informações sobre vítimas. “Muitas vezes eles se infiltram nas comunidades de crianças”, diz.

Oliveira ressalta que o site de relacionamentos é indicado apenas para maiores de 18 anos. “Apesar disso, 50% dos usuários no País são adolescentes e crianças”, afirma. Para ele, a decisão de participar ou não do Orkut cabe aos pais. “Assim como a família decide se uma criança vai ver um filme com indicação de idade acima da dela”, compara.

Outra preocupação dos pais é o tempo que as crianças passam em frente ao computador. ”É importante estabelecer um limite, caso contrário, a criança se esquece de conviver com a família e amigos. A Internet é uma ferramenta fantástica, o problema é o mau uso, o excesso”, diz o advogado.

Para Oliveira, a melhor alternativa para resolver esse impasse é a conversa com os filhos. “Privar a criança é um grande erro. O ideal é que pais e fi lhos discutam e definam o período adequado. Não há nada pré-determinado”, diz.

Dicas de segurança

  • Instale o computador em um cômodo comum da casa. Evite deixá- lo no quarto da criança.

  • Defina com a criança os sites adequados para visitar e os horários de uso do computador. Duas horas diárias é tempo suficiente.

  • O ideal é que a criança só utilize o computador após terminar os deveres de casa. Até os nove anos, ela deve estar acompanhada dos pais.

  • Por meio de alguns programas, como o MSN, ou sites, como o Orkut, os pais podem acompanhar o que o filho faz na Internet e com quem ele se relaciona. Lembre-se também de que o Orkut é um site proibido para menores de 18 anos.

  • Só permita que os filhos tenham pessoas conhecidas na lista de programas de comunicação instantânea, como o MSN. Por meio deles, é possível enviar vírus e roubar senhas.

  • Converse com seu filho sobre o que ele faz na Internet. Aproxime- se dele, inicie uma relação virtual com ele, mande emails interessantes. Mas não se esqueça de que a relação principal é a real, com os pais presentes.

  • Oriente seu filho a nunca dar informações pessoais, como telefone, endereço, escola onde estuda, para pessoas que conheceu pela Internet. Mostre a ele os riscos que a rede oferece.

  • Procure saber os programas de segurança utilizados na escola e em LAN houses que a criança freqüenta.

  • Explique à criança que ela não deve se encontrar, sem a presença de um adulto, com alguém que conheceu no mundo virtual. Argumente que a orientação é semelhante para casos em que ela conhece alguém na rua.

  • Fique atento às conversas mantidas por seu filho nos sites de bate-papo. As crianças pequenas devem evitá-los. Oriente seu filho a buscar as salas monitoradas ou exclusivas para crianças.

  • No caso de crianças menores, os pais devem partilhar com elas o endereço de correio eletrônico. À medida que crescem, podem ter um endereço separado.

  • Ensine aos seus filhos que na Internet a diferença entre o certo e o errado é a mesma que na vida real.

  • Oriente seu filho a não abrir sozinho anexos do e-mail, pois eles podem conter vírus, e a nunca responder mensagens de desconhecidos.

  • Controle a atividade online da criança por meio de um programa avançado para a Internet. Ele pode ajudá-lo a filtrar conteúdos inadequados, monitorar os sites visitados por seus filhos e a descobrir o que eles fazem nessas páginas.

  • Mostre à criança que nem tudo o que está na Internet é verdade. Encoraje-a a buscar outras fontes de informação.

  • Quando não for usar a webcan, vire-a para a parede. Hoje, há programas que possibilitam que hackers liguem-na à distância. Assim, muitas vezes a pessoa não sabe que está sendo observada.

Sinais de que a criança está sob risco

  • Quando o filho passa muitas horas na Internet, principalmente à noite, e se afasta de atividades familiares para ficar no computador.

  • A criança apaga a tela do computador ou muda a imagem quando algum adulto entra na sala e demonstra ansiedade.

  • A criança recebe cartas e bilhetes de pessoas que os pais não conhecem.

  • Há material pornográfico no computador da família-os criminosos podem utilizá-lo para convencer a criança de que a prática é uma coisa normal.

  • A criança recebe chamadas telefônicas de pessoas que os pais não conhecem ou faz ligações para números desconhecidos pela família.

O que fazer

Converse com a criança. Assumir a postura “policialesca” é pior, pois o fi lho acaba recorrendo ao serviço de Internet em LAN houses, no vizinho ou na escola.

Se encontrar material ofensivo ou indícios de que um pedófilo cerca seu filho, convença-o a fornecer informações (mensagens, contas de e-mails) dos suspeitos com quem tem se comunicado. Assim, os dados podem ser encaminhados à polícia. A denúncia pode ser feita por telefone, discando 100 (discagem gratuita) ou por e-mail nos endereços: dcs@dpf.gov.br (Polícia Federal)