Golpes virtuais atigem 20% dos estudantes do Rio

14/12/2009
Fonte: 
http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2009/12/golpes_virtuais_atigem_20_dos_estudantes_do_rio_52972.html
Autor: 
Amanda Pinheiro
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Rio - Carina Guida, 17 anos, passa horas a fio na Internet, tem perfil no Orkut em que exibe fotografias suas, troca mensagens eletrônicas e vídeos com amigos. A jovem tem uma ‘vida virtual’ considerada normal para alguém da sua idade. Tudo ia bem, até que um ataque de hacker à sua página no site de relacionamentos mudou o ‘perfil’ que era exibido a parentes e amigos. A invasão e clonagem de seus dados e imagens e o envio, em seu nome, de conteúdo pornográfico, com insinuações a um primo distante, geraram constrangimento em toda a família e muita dor de cabeça. Carina não está só: 20% dos estudantes dos ensinos Médio e Fundamental do Rio já tiveram dados ou perfil online roubados.

Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Cada vez mais estudantes são vítimas de golpes virtuais no Estado do Rio. | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia.

O levantamento com alunos do estado faz parte de pesquisa da ONG Safernet, com apoio dos ministérios públicos estadual e federal, e vai mudar o currículo escolar no estado do Rio já no ano que vem. Oficinas de Segurança na Internet serão incluídas no conteúdo oferecido a estudantes.

De acordo com a coordenadora de tecnologia da Secretaria Estadual de Educação, Iolanda Lopes, além dos professores, pais também receberão material didático sobre o assunto. “As dicas de segurança virtual farão parte da grade curricular da rede em todas as disciplinas. Os estudantes precisam saber que correm risco. Os pais serão chamados de volta à sala de aula. E os professores serão os primeiros a ser informados sobre o perigo real que existe na Internet”, concluiu Iolanda.

Foi na condição de vítima da fraude virtual que Carina aprendeu a desconfiar da Internet. Depois de ter de provar aos pais que não foi a autora de mensagens com conteúdo erótico para o primo, ela ainda precisou telefonar para todos os amigos virtuais e explicar o mal-entendido.“Eu jamais mandaria uma mensagem daquelas para meu primo. Ficou um clima péssimo, porque ele, no primeiro momento, achou que a mensagem, cheia de pornografia, foi escrita por mim”, contou.

O objetivo do levantamento da Safernet, ainda em curso, é criar instrumentos para navegação mais segura na rede e levá-los aos jovens. “Para que as políticas de segurança virtual sejam criadas, é necessário conhecer quem corre esses riscos. Então, levaremos ao estado essa pesquisa e ajudaremos os estudantes a entender que o risco é real, ao contrário do que muitos acreditam”, explica o diretor de Prevenção da Safernet, Rodrigo Nejm.

Os coordenadores pedagógicos e orientadores tecnológicos da rede estadual, que trabalham como professores nos laboratórios de informática, começarão a ser treinados no início do próximo semestre. “Ainda existem educadores que não dominam a informática e também os que não conseguem acompanhar a rapidez com que os estudantes aprendem as novidades. Eles serão preparados primeiro para identificar como uma simples foto, por exemplo, pode trazer risco para os jovem. Elas podem ser alteradas, cair na rede e prejudicar muito um aluno”, diz Rodrigo.

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A pesquisa está sendo divulgada nas escolas públicas e particulares de todo o estado, com foco na capital, para estudantes entre 12 e 17 anos. O questionário está no site www.safernet.org.br/rj. Na mesma página, está disponível pesquisa direcionada a educadores.