Fonte:
http://noticias.correioweb.com.br/materias.php?id=2680814&sub=Distrito%2520Federal
A estudante de 13 anos ameaçada por adolescentes desafetos por meio do Orkut prestou depoimento na tarde desta terça-feira na Promotoria da Infância e da Juventude. Quatorze meninas e os quatro meninos são acusados de usar o site de relacionamento contra a garota em junho deste ano. Eles foram autuados pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) por ameaça, injúria e formação de quadrilha e começam a ser ouvidos na próxima semana. Depois de colhidos os depoimentos, o processo segue para a Vara da Infância e da Juventude (VIJ), responsável pela sentença. As penas podem variar de uma simples advertência até internação no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje).
Durante os 30 minutos de depoimento, a vítima das ameaças, acompanhada pela mãe, a secretária Leila Rebouças, deixou a promotora Cláudia Valéria Teles a par dos acontecimentos dos últimos dois meses. Ela conta não ter sofrido mais ameaças, mas diz que ainda ouve boatos na escola onde estuda. No Centro de Ensino Fundamental 02, na 107 Sul, estudantes estariam comentando que a situação ainda não foi totalmente resolvida. “Ouvi que estão só esperando a poeira baixar para me pegarem”, afirma.
No dia 30 de junho, cerca de 20 adolescentes cercaram a escola da 107 Sul. Segundo as investigações da DCA, a agressão só não se concretizou porque a vítima havia faltado às aulas naquele dia por causa de uma gripe. A vítima relata que, no início do mês passado, uma das meninas autuadas – a “Starzinha” - apareceu em frente ao colégio. “Ela estava com dois meninos e escondia o rosto para não ser identificada”, declarou. A mãe da adolescente diz que a filha deve ficar matriculada na escola até o final do ano que vem, quando conclui o Ensino Fundamental.
Leila Rebouças não esconde a preocupação excessiva com a filha única, que, depois da confusão, não sai de casa sozinha nem para a padaria, na Vila Planalto. A nova rotina incomoda a adolescente. “Na escola, aonde eu vou, sou monitorada e os guardinhas vão atrás”, conta. Na época em que o caso estourou, a diretoria da escola garantiu reforço na segurança.
Mudança de rotina
A adolescente ficou quase um mês sem freqüentar o curso de inglês. Toda semana, ela ia a pé, sozinha, da escola até o curso, que fica na 907 Sul. A tempo de não ser reprovada, a menina retomou o ritmo de estudos e, agora, só faz o trajeto acompanhada pela avó.
Assustada com o que aconteceu, a adolescente chegou a ter crises de gastrite e os relacionamentos na escola ficaram comprometidos. “Só de um tempo pra cá que estou voltando a me ‘enturmar’. No começo, todo mundo me evitava, ninguém mais ia lá em casa. Achavam que a culpa era minha”, diz.
A mãe Leila Rebouças conta que os pais de alguns dos indiciados a procuraram para pedir desculpas. “Todo mundo tem direito a uma outra oportunidade e merece uma chance para melhorar. Não queria que esses adolescentes fossem punidos severamente. Se eles chegassem para minha filha e pedissem perdão já seria suficiente”, afirma.
O caso
A estudante começou a receber ameaças por meio do orkut depois de um beijo dado em um garoto da vizinhança. O adolescente é ex-namorado da garota apontada pelas investigações como a responsável pelo início das injúrias. O pivô da confusão só foi saber que ele tinha a ver com a história quando o caso ganhou destaque na imprensa. “Assim que soube, ele foi lá em casa pedir desculpas, saber se eu estava bem e dizer que não esperava que tudo isso fosse acontecer”, conta a vítima.
Além do desejo de voltar a ver a filha com uma rotina tranqüila, a mãe da vítima revela que tem vontade de conhecer todos os adolescentes envolvidos. “Queria olhar nos olhos deles e tentar entender a razão de não gostarem da minha filha”, conta. Já a própria adolescente prefere adiar esse encontro. “Não sei o que elas pensam sobre mim, se vão me olhar com ódio. O que queria mesmo é voltar a ter uma vida normal”, desabafa.