Everton dos Santos Rodrigues é técnico em tecnologias livres, integrante do Projeto Software Livre Brasil e pesquisador no Projeto Casa Brasil, do governo federal (na área de inclusão digital). Também atua na criação de interfaces para aproximação dos movimentos sociais à internet e à utilização do software livre. Participou da organização de todas as edições do Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, e foi um dos debatedores do assunto no Fórum Social Mundial - Acampamento Intercontinental da Juventude. A promoção da sustentabilidade pelo paradigma da Economia Solidária é outro aspecto importante de seu trabalho.
Elege entre suas prioridades de ação do Comitê a construção de canais de participação mais diretos para ONGs e a sociedade civil em geral. Trabalhar pela democratização da banda larga no país é outro ponto destacado por Everton. O CGI.br poderia desempenhar o papel de articulador nesse processo, relacionando projetos do governo e de movimentos sociais.
Também entende como estratégico criar meios para que rádios e televisões comunitárias encontrem espaço de difusão na internet, e que outras organizações também passem a produzir conteúdos na rede. É preciso encontrar meios para que tenham conectividade e condições de manter um site no ar. O Comitê poderia oferecer um programa de registro e hospedagem gratuita a algumas organizações através de editais, por exemplo. A definição do marco legal do Comitê também está entre as prioridades de Everton para a gestão. Ele acredita que a existência do CGI.br deva estar garantida como uma estrutura permanente de governança da internet na Lei Geral de Comunicações. Um momento ideal para discutir esse assunto seria a Conferência Nacional de Comunicação, proposta pelo ministro Hélio Costa, e a participação do Comitê no evento seria fundamental. Sobre o sistema de eleições para os membros do CGI.br, Everton acredita que na próxima eleição deva haver uma cota de 30% para mulheres, para diminuir a disparidade existente no Comitê.
Everton acredita que grande parte da população não atenta para os crimes cometidos na internet, pois a vê como um espaço à margem da sociedade. O combate a agressões aos Direitos Humanos deve acontecer, mas com responsabilidade, já que abusos em nome da segurança podem facilmente acontecer. Ao se criarem mecanismos de identificação de todos os usuários da rede, por exemplo, corre-se o risco de criar meios de perseguição ou uso político dessas informações. Acredita que a questão das punições a crimes cibernéticos deva constar na Lei Geral de Comunicações.
A interatividade da internet pode gerar a exposição das crianças a conteúdos e interações inadequadas, mas Everton não acredita que a simples restrição a certos domínios seja suficiente para lidar com a questão. Ele defende que a internet deva ser discutida na escola - incluída no currículo escolar - , para que as crianças desde cedo se conscientizem dos perigos a que estão expostas na rede. A sociedade deve debater o assunto, principalmente os familiares de crianças com acesso à internet. O mesmo vale para a circulação de conteúdos discriminatórios, contra a qual a conscientização é a melhor arma. Com a maior diversidade de conteúdos produzidos para a rede, uma das bandeiras de Everton, crianças e adolescentes também terão mais opções de sites de qualidade, adequados para sua faixa etária. Isso colaboraria para a diminuição de acessos a conteúdos impróprios.
Acredita que a participação do CGI.br nas discussões e encontros internacionais sobre governança é muito importante e efetiva no combate aos crimes cibernéticos. Com as discussões realizadas nesses eventos (e paralelamente, debatendo as questões em âmbito nacional), Everton acredita que se aproxime de medidas que combatam os crimes sem avançar sobre a privacidade e o anonimato, fundamentais no ambiente virtual. A participação do CGI.br na Conferência Nacional de Comunicação também seria de grande valia para a divulgação da questão.
Everton vê uma forte necessidade de aumentar a participação da sociedade civil nas discussões pertinentes ao CGI.br. Para isso, propõe a criação de um portal interativo em que a sociedade possa expressar opiniões e levantar questões, e encontros presenciais em diferentes estados. Acredita ser importante também a divulgação das vantagens e usos do software livre para a sociedade em geral, principalmente para as organizações.
Para conhecer a Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul, visite http://www.feebrs.org.br, o Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Sul, acesse http://www.sindipetro-rs.org.br, e o Instituto AMA, http://www.institutoama.com.br