Carlos Alberto Afonso é engenheiro, doutor em Pensamento Social e Político e diretor de planejamento e estratégias da Rede de Informações para o Terceiro Setor (RITS). Um dos pioneiros do desenvolvimento da internet no Brasil, criou o Alternex, primeiro sistema de informação e comunicação baseado em computador da América Latina, que era voltado para a atuação do terceiro setor. O sistema desenvolveu-se como o primeiro provedor de serviços internet do Brasil. Então funcionário do IBASE, trabalhou para a criação do CGI.br em 1995, para o qual também foi indicado membro (representante dos provedores). Em 2003, foi um dos participantes do movimento que fez a proposta de reestruturação do Comitê, com a votação por um colégio eleitoral dos 11 representantes não-governamentais. Foi eleito pelo segmento do terceiro setor em 2004, e hoje concorre à reeleição.
Carlos tem como prioridade o investimento em “projetos estruturantes que contribuam para alavancar as tecnologias da informação e comunicação para o desenvolvimento humano no país”. Ele já vem trabalhando para a criação de critérios de escolha dos projetos a serem apoiados, e espera que os primeiros editais já sejam lançados nos próximos meses.
Não há no Brasil um espaço específico de discussão de questões como o combate a crimes cibernéticos. Por isso, o CGI.br tem apoiado iniciativas de combate ao uso criminoso e indevido da rede, principalmente as que se voltam à prevenção e capacitação técnica para esse enfrentamento. Ele destaca a criação do CERT.br, que é hoje “referência mundial em segurança na internet”. A idéia é aumentar o apoio ao trabalho de organizações que trabalhem na defesa dos Direitos Humanos na rede.
Carlos acredita no desenvolvimento de legislação que considere as violações aos Direitos Humanos. Ele ressalta, porém, que há um grande número de projetos de lei para a segurança na rede que, se aprovados, não serão efetivos do combate aos crimes cibernéticos, e outros que são direcionados a interesses de segmentos específicos. É, assim, favorável ao investimento em equipes técnicas que dêem suporte ao poder Judiciário e que restrinjam a ação dos criminosos – sem, contudo, prejudicar a liberdade de expressão e a privacidade dos usuários em geral. Além disso, é importante a adoção de mecanismos de segurança eficazes (como o DNSSec, o sistema de endereçamento de domínios protegido por chaves criptografadas), e a presença do CGI.br em discussões legislativas.
Entende que a participação do terceiro setor na tomada de decisões sobre a governança da internet é ínfima, mas pessoalmente procura trazer suas demandas para as discussões do Comitê. Ele acredita que o CGI.br deva redobrar esforços para envolver o terceiro setor no debate e aposta no aumento do interesse do segmento sobre o assunto com a realização do Internet Governance Fórum (IGF) no Rio de Janeiro em novembro.
A organização foi fundada em 1997 e atua na criação de um espaço de informação e de apropriação das tecnologias da informação e comunicação pelo terceiro setor. O fomento ao compartilhamento de conhecimentos e recursos técnicos entre organizações é o objetivo da Rede. Para saber mais, visite http://www.rits.org.br