Domar tempestades

04/08/2010
Fonte: 
http://jornalcidade.uol.com.br/rioclaro/Colaboradores/sandra-r-s-baldessin/63906-Domar-tempestades
Autor: 
Sandra R.S. Baldessin
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional



Palavras, quem as leva é o vento. Esse é um antigo provérbio espanhol, que já dava conta dos perigos de falar inadvertidamente. Imaginem as proporções que isso pode tomar se pensarmos que, hoje, o vento pode muito bem ser a internet, e depois de teclar o botão “enviar”, não dá pra voltar atrás.
Tenho abordado o tema da internet, de modo negativo, com certa frequência. Isso não significa que sou contrária à tecnologia ou que não valorizo os benefícios do progresso nas formas de comunicação.
Aprecio e emprego todas as ferramentas disponibilizadas pelo avanço tecnológico, que facilitam a vida profissional e, às vezes, a pessoal. Mas, isso não significa que posso abdicar de uma crítica pertinente em relação ao uso desses instrumentos.

A história humana está repleta de fatos que comprovam que somos capazes de dar os piores destinos às invenções criadas para melhorar a vida. Basta lembrar que, ao inventar o avião, Santos Dumont jamais imaginaria os camicases!

O caso ocorrido na madrugada de 26 de julho, envolvendo o casal de adolescentes gaúchos de 14 e 16 anos expressa bem essa questão. Os adolescentes, através do twitter, se exibiram em atividade sexual, em tempo real.

Eles tinham uma plateia de 26.000 seguidores, o que tornou a “brincadeira” (eles afirmam que se tratava de um jogo) um caso de polícia. Apostavam na efemeridade das imagens, sem calcular que o vídeo seria gravado e relançado na rede, em vários outros sites.

Não bastasse o ciberbullying, cujas estatísticas cresceram mais de 50% nos últimos dois anos; não bastasse a ciberpedofilia, à qual crianças e adolescentes estão expostos com o uso não monitorado da internet, agora começam a surgir casos como esse de Porto Alegre, que extrapolam qualquer brincadeira e apontam que temos um problema sério nas mãos.

Se dois adultos optam por exibir imagens íntimas em canais da web especializados nesse tipo de vídeo, são responsáveis por suas decisões. Quando isso ocorre com crianças e adolescentes, a história é bem outra.

A única forma de proteger nossas crianças passa pelo controle da internet por parte dos pais e responsáveis. A sociedade ocidental repudia a palavra controle, mas é preciso rever esse conceito. Outra ferramenta valiosa, que ajuda a prevenir essas ações, é a informação. Portanto, vale conhecer os esforços de quem se preocupa com o tema.

A Associação Safernet Brasil (www.safernet.com.br) desenvolve um trabalho de prevenção a crimes na internet e traz indicadores sobre os problemas mais comuns. Também, disponibiliza uma cartilha que auxilia os pais a incentivarem o uso seguro da internet, identificando quaisquer atos que impliquem em violação dos direitos humanos e dos direitos da criança e do adolescente, como aliciamento, produção e difusão de imagens de abuso sexual, humilhação por ciberbullying e outras infrações.
É hora de fazer valer outro ditado: quem semeou ventos, que aprenda a domar as tempestades.

A colaboradora é escritora e consultora em Comunicação Escrita. sbaldessin@gmail.com