Sites de relacionamentos são bastante populares entre os jovens. Nesses espaços virtuais, eles criam páginas pessoais, encontram amigos, participam de comunidades, postam fotos e vídeos. Mas também é nesses ambientes, ricos em informações e detalhes de suas vidas, que criminosos aliciam crianças e adolescentes.
Para aumentar o rigor e a punição a quem pratica esse tipo de crime, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, no último dia 26, uma lei de combate à pedofilia na internet, considerada por especialistas como uma das mais modernas do mundo. De acordo com a nova legislação, agora, poderá ser preso qualquer internauta que produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar cena envolvendo crianças e adolescentes.
Organizações não-governamentais de segurança na internet também aderiram ao movimento de combate aos pedófilos e iniciaram campanha para orientar pais e usuários da rede. Mas as entidades alertam: as tecnologias mais avançadas para proteger crianças e adolescentes desses perigos em qualquer espaço ainda são o diálogo e a orientação.
"Não adianta radicalizar e proibir a criança (de acessar a internet). Se proibir, ela vai até uma lan house ou na casa de um amigo. Proibir não educa, não previne. Os pais têm de conversar com os seus filhos", disse o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de prevenção e atendimento da ONG Safernet. A entidade recebe, diariamente, cerca de 2,5 mil queixas de pedofilia, racismo, homofobia e intolerância religiosa, entre outros crimes na internet.
Para ele, é fundamental que os pais se coloquem sempre à disposição dos filhos para que peçam ajuda quando se sentirem ameaçados ou receberem conteúdos impróprios on-line. "Se os pais não sabem navegar na internet, devem aproveitar para aprender com seus filhos e entender o que eles fazem, com quem conversam e o que divulgam na internet". Nejm acredita que essa pode ser uma ótima oportunidade para ensinar os jovens a tomar cuidado.
"No lugar das velhas dicas para não receber doces nem carona de estranhos, os pais precisam alertar os filhos para não divulgarem dados pessoais na internet, não aceitarem convites para se encontrarem com amigos virtuais e nem receberem arquivos de estranhos", aconselhou o psicólogo.
Coordenador do Movimento Internet Segura, Igor Ramos Rocha concorda que o primeiro passo é ter uma visão geral do universo virtual. A entidade foi criada há quatro anos para orientar internautas sobre transações comerciais e há uma semana decidiu atuar na proteção de crianças e jovens.
Na opinião de Rocha, o diálogo aberto sobre como, quando e com quem usar a internet ainda é responsabilidade dos pais. "Os pais devem ensinar que não podemos acreditar em tudo, nem em todos. Como em todos lugares, há pessoas mal intencionadas e mentirosas".