Crimes no Orkut triplicam em cinco meses, mas Google não comparece a audiência com justiça brasileira, diz SaferNet

17/05/2006
Fonte: 
http://wnews.uol.com.br/site/noticias/materia.php?id_secao=4&id_conteudo=4860
Autor: 
Larissa Januário
Veículo de Imprensa: 
W News

São Paulo, 17 de maio de 2006 – O número de notificações de crimes contra os direitos humanos realizados no site de relacionamento Orkut triplicou em cinco meses, segundo Thiago Tavares, presidente da ONG SaferNet, que luta contra este tipo de prática na Internet. “Mesmo com um aumento absurdo no número de registros e de denúncias, representantes da empresa não compareceram na audiência marcada para esta terça-feira no Ministério Público Federal”.

Para Tavares, a postura do Google, empresa responsável pelo Orkut, é contraditória. “Na última audiência, realizada na Câmara dos Deputados, no dia 26 de abril, David Drumond, vice-presidente da empresa, se mostrou aberto, prometeu cooperar com a justiça brasileira. Mas na data marcada para definir como seria esta colaboração ninguém apareceu”, lamenta.

Google Brasil se defende

Segundo comunicado emitido pelo advolgado do Google no Brasil Dirval de Noronha, o cancelamento da audiência que seria realizada na última terça-feira, 16/05, foi em virtude da recusa do Ministério Público Federal em realizar "uma discussão mais abrangente com a presença de todos os entes relacionados".

Na mensagem, o Google Inc ressalta que está interessado em solucionar os casos de crimes no Orkut. Mas destaca que o Google Brasil nada tem a ver com o site de relacionamentos, já que o escritório brasileiro representa exclusivamente a área de marketing da empresa. Para a companhia, o assunto deve ser tratado somente entre o Ministério Público Federal e o Google Inc., com sede na Califórnia, nos EUA.

Mas para Tavares, o Google Brasil não deixa de ser um braço da empresa no Brasil e por isso deve responder às solicitações da justiça brasileira. "Outras companhias de Internet similares ao Google, como Yahoo e MSN, quando notificadas em relação a crimes praticados em suas plataformas sempre respondem no prazo razoável de 24h".