Crimes anônimos no Orkut

05/05/2007
Fonte: 
http://veja.abril.com.br/090507/p_086.shtml
Autor: 
Luiz Fernando de Prince Fukushiro
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Na semana passada, um caso de pedofilia aprofundou a controvérsia sobre o anonimato na popular comunidade de relacionamentos Orkut. Um usuário com o apelido de "Tenente C" expôs em seu álbum pessoal doze fotos, a maioria de meninas nuas, algumas delas sendo abusadas. A ONG SaferNet Brasil, que coleta casos de crimes on-line e os encaminha ao Ministério Público, recebeu mais de 1 000 denúncias sobre o fato, o que levou o Orkut a retirar do ar a página criminosa. "O que temos visto nesses casos é que a página sai do ar, mas não há punição. Isso incentiva o criminoso a continuar", diz Thiago Tavares Nunes de Oliveira, presidente da SaferNet. Foi o que aconteceu. O Tenente C criou mais três perfis (o nome que recebem as páginas pessoais no site), divulgando as mesmas fotos. O Orkut – site filiado ao Google – diz que está tomando providências para garantir o "conteúdo saudável" do site, incluindo filtros tecnológicos, monitoramento de conteúdo e parcerias com autoridades brasileiras. No caso do Tenente C, essas medidas se mostraram insuficientes. Somente divulgando o IP (espécie de assinatura digital dos computadores na rede) do criminoso é que se poderia identificá-lo. O Orkut ainda não fez isso, alegando que os dados estão sob custódia da matriz americana do Google. Os anônimos aproveitam-se dessa morosidade para propagar o crime na internet.