Comunidades no orkut demonstram que o Brasil é um país racista

20/06/2007
Fonte: 
http://www.grandefm.com.br/news/news.asp?NewsID=184788
Autor: 
Da redação
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

A discussão das cotas raciais no site de relacionamentos orkut mostra que a população negra continua sendo desrespeitada e a discriminação racial ronda o pensamento brasileiro. Esta foi a conclusão da professora Maristela Abadia Guimarães, da Universidade Estadual de Mato Grosso, em sua dissertação de mestrado defendida no ano passado e apresentada na manhã de hoje (20) aos 50 participantes do I Seminário dos Universitários Negros da UEMS, em Dourados.

Maristela levantou, em 2005, 23 comunidades que expressavam 67 tópicos com opiniões favoráveis ou contrárias à implantação das cotas raciais nas universidades públicas brasileiras. “As cotas têm sido entendidas por aqueles que não acreditam em seu efeito positivo como um modo de racializar a sociedade brasileira, criar o racismo em um país até então ‘cordiall’ e, ao combatê-las, os oponentes insultam não somente a população negra, como todos aqueles que defendem esse mecanismoo”, afirma a professora.

Para ela, o orkut tem sido uma ferramenta preciosa para este tipo de pesquisa, pois as pessoas expõem seus pensamentos, idéias e posicionamentos sem a preocupação de estar ofendendo o outro ou mesmo de represália. Com relação às críticas às cotas, Maristela afirma que “os insultos mostram uma recusa em aceitar a população negra como um novo ator no diálogo, seja desqualificando-o como cidadã – pois é mostrada como incapaz de intervir no debate democrático – seja utilizando táticas para retirá-la do debatee”.

É por reconhecer que as questões raciais têm importância significativa na estruturação das desigualdades sociais e econômicas no Brasil que a UEMS está promovendo o seminário, pois assume o compromisso de formar atores responsáveis para superação dessa forma de relações humanas. Como instrumento de ação afirmativa, esta universidade implantou, em 2003, o sistema de cotas para estudantes negros e indígenas, no qual os primeiros disputam entre si 20% das vagas ofertadas no vestibular e os últimos 10%.

Promovido pela professora Maria de Lourdes da Silva, coordenadora do Núcleo de Políticas Étnicas e Raciais da UEMS (NEER), o evento se estende até à tarde e terá ainda a palestra “Afirmação e negação da universidade numa sociedade racializadaa”, com a professora Maria Ceres Pereira (UFGD, MS). Na oportunidade, também haverá eleição de 15 delegados para representar a juventude negra da UEMS no Encontro Nacional da Juventude Negra (ENJUNE), em Salvador.