Bate-papo virtual com o inimigo

30/09/2010
Fonte: 
http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/09/30/brasil1_0.asp
Autor: 
Carolina Khodr
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

Duas adolescentes conhecem um rapaz pela internet e combinam de se ver pessoalmente. No dia seguinte, perto das 17h, os três se encontram em uma praça da cidade. Mas as meninas percebem que o homem está armado e as obriga a acompanhá-lo até um terreno baldio. Lá, ele abusa sexualmente das duas garotas. As idades delas: 12 e 14 anos. Esse foi um dos dois casos de encontros marcados com desconhecidos seguidos de estupro registrados em apenas uma semana no estado de São Paulo.

Estudo da organização não governamental Plan Brasil entrevistou 400 jovens de todo o país e constatou que 79% das meninas não se sentem seguras ao acessar a internet e revelou que 60% das adolescentes brasileiras conhecem os perigos da exposição virtual. Apesar disso, metade delas gostaria de encontrar pessoalmente alguém que teriam conhecido online.

O levantamento foi realizado pela CPP Brasil e é parte do projeto da ONG Plan sobre o impacto das tecnologias de comunicação e informação na vidade meninas de todo o mundo e sobre os riscos a que estão expostas quando em contato com esses instrumentos. Um questionário sobre o uso da internet e do celular foi aplicado em grupos focais de discussão que reuniram 40 meninas de escolas públicas e privadas das cidades de São Paulo e Santo André, e também a cerca de 400 adolescentes de estados diferentes que responderam às perguntas pela web.

De acordo com o gestor da CPP Brasil, Luiz Rossi, as adolescentes têm ciência da possibilidade de se deparar com pessoas mal-intencionadas no ambiente virtual. "Várias manifestaram conhecer casos próximo de amigas que tiveram problemas com desconhecidos pela internet, o que funcionou como um alerta para elas", conta.

A pesquisa constatou que quanto mais conhecimento e consciência as meninas têm sobre os novos recursos, maior o grau de segurança que sentem online. "Elas sabem que as suas fotos podem ser manipuladas ou divulgadas sem autorização, e que uma vez publicadas, dificilmente são recuperadas."

Outro problema revelado pela pesquisa é o fato de as famílias de baixa renda - por terem menos acesso às novas tecnologias - encontrarem mais dificuldade em instruir as crianças sobre o uso da internet. Os adolescentes que não têm computador em casa recorrem às mais de 100 mil lan houses que existem no país, e os pais não têm como fiscalizar. Para Rossi, nesses casos, a inclusão digital dos adultos e o diálogo com os filhos são fundamentais. "As meninas relatam que os pais que desconhecem a tecnologia usam a repressão em vez da instrução. Para conhecer os problemas aos quais as meninas estão sujeitas é fundamental ouvi-las primeiro", explica.

O diretor de Prevenção da ONG SaferNet Brasil, Rodrigo Nejn, alerta para os cuidados que as adolescentes devem ter com o uso da rede e diz que elas são as que mais se expõe aos riscos com envio de fotos e vídeos. "Quando esse conteúdo chega nas mãos erradas o risco de ocorrer cyberbullying ou chantagens é muito grande", explica. No caso de abuso ou ofensa sexual, o especialista recomendao bloqueio imediato do ofensor e que seja registrada denúncia pelo site www.denuncia.org.br. "A Polícia Federal recebe essas informações e toma as providências devidas", afirma Nejn.